Retrospectiva: as Atividades da Malha Fina no Segundo Semestre de 2016

É com muita alegria que a equipe Malha Fina encerra os trabalhos cartoneros do segundo semestre deste ano, tão intenso e cheio de conquistas. Já na expectativa do novo ano ser ainda mais produtivo para nossa cartonera, nada melhor do que iniciar as férias fazendo uma retrospectiva sobre como foi o segundo semestre de 2016 (e tem muita coisa!).

Inciamos o semestre reestruturando o blog em algumas seções: Caindo na Malha Fina (resenhas), Modus Operandi (tradução), Na Batida Cartonera (reportagens)/Informes Cartoneros e Transversal (entrevistas). Você pode ler mais sobre essa reestruturação no Editorial. Além disso, elaboramos um catálogo das nossas obras lançadas até então, você pode conferi-lo clicando aqui (e se tiver interesse em comprar algum livro, basta entrar em contato conosco)!

Quanto às publicações, a Malha Fina Cartonera deu seu pontapé inicial com o lançamento dos livros A escrita riscada, de Eduardo Lalo e 2 ensaios, de Antonio José Ponte. Ambos livros de autores inéditos no Brasil. O primeiro, livro híbrido entre ensaio e ficção, foi publicado pela primeira vez em 2005 pela editora portorriquenha Tal Cual e teve tradução feita por Chayenne Orru Mubarack, que também assina o posfácio “Caribe rizomático”. À pedido da Malha Fina, a tradutora também resenhou o livro, o texto encontra-se disponível em “Eduardo Lalo e sua escrita riscada”.

O livro do cubano Ponte, por sua vez, teve tradução de Clarisse Lyra e posfácio do próprio autor, feito especialmente para o livro. O livro conta com os ensaios “História de uma bofetada” e “O casaco de ar”: ambos giram em torno do patrono das letras cubanas, José Martí, e debatem a leitura, a memória e a relação entre política e literatura. A tradutora também resenhou o livro, em texto intitulado “José Martí sem pedestal: dois ensaios de Antonio José Ponte. Para colaborar com a recepção do autor no Brasil, Pacelli Dias Alves de Sousa traduziu a entrevista “Como Bartleby, o corvo de Melville… que foi concedida por Ponte a Jorge Enrique Lage e com versão original publicada pela Hypermedia Magazine. Na primeira entrevista de Ponte traduzida ao português, o autor apresenta um panorama de sua obra, fala de sua obsessão com a cidade de Havana, da difícil relação entre o Estado e a cultura em Cuba, comenta sobre autores favoritos e sua sobre mais recente obra.

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Em setembro, entre os dias 22 e 23 de setembro, a Malha Fina montou sua banquinha de vendas em dois eventos na Universidade de São Paulo: um em parceria com a revista Cisma de tradução e crítica e outro parte do II Encontro do Centro Interdepartamental de Línguas da FFLCH. Infelizmente, não houve grande quantidade de vendas, ainda que houvesse bastante interesse pelo projeto. Da experiência e reflexão sobre a produção e a venda de livros cartoneros no Brasil surgiu o texto “As dificuldades do fazer cartonero, escrito por Mariana Costa Mendes.

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Em outubro, tivemos nossa primeira experiência com oficinas em escolas públicas de São Paulo, iniciando um novo campo de atuação para a Malha Fina. No dia 07, fomos à Escola Municipal General Euclydes de Oliveira Figueiredo realizar oficinas com jovens de 11 a 15 anos, como parte de um projeto cartonero que está sendo implementado na escola pela professora Silvia Martins. Sobre a experiência, a monitora Larissa Pavoni Rodrigues e a colaboradora Alana Oliveira escreveram o texto “Malha Fina na escola: um relato de experiências”.

Além de ensinar todas as etapas da produção de um livro artesanal, desde o corte do papelão até a pintura da capa e título, também foram discutidos com os alunos temas como as origens das palavras cartonera e Malha Fina, o que elas significam e como a técnica cartonera colabora com a preservação do meio ambiente, através da reciclagem.

Os livros confeccionados foram escritos pelos próprios alunos, trabalhados em conjunto com as professoras de português. Entre eles, uma coletânea intitulada Contos de Terror e uma de poesia; também, um livro do escritor Paulo Nunes, com o título Simão está dormindo. A diagramação ficou por conta de Mariana Costa Mendes. (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2016)

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Participamos da V Jornada da Pós Graduação em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana confeccionando o cartaz do evento e organizando uma de suas mesas, que aconteceu no dia 26 de outubro e contou com a participação de Julián Fuks e de Paloma Vidal, sendo mediada por Pacelli Dias. Aryanna Oliveira, colaboradora da Malha Fina, escreveu uma detalhada reportagem sobre o evento, intitulada “A literatura brasileira em obras: memória de uma conversa com Julián Fuks e Paloma Vidal”.

A escritora, tradutora e professora Paloma Vidal contou um pouco sobre “Em Obras”, projeto transdisciplinar no qual atua como curadora e conta com a companhia de mais seis mulheres ligadas à área das artes e literatura em palestras performáticas, são elas: Cynthia Edul (dramaturga), Diana Klinger (crítica literária), Elisa Pessoa (artista visual), Ilana Feldman (crítica de cinema), Marília Garcia (poeta), Veronica Stigger (escritora). Nele, as artistas brasileiras e argentinas refletem sobre o romance e a literatura contemporânea na América Latina. A exposição de Paloma Vidal foi transcrita pela Idalia Morejón Arnaiz e Larissa Pavoni Rodrigues, e está disponível em “Em obras: saídas da ficção .

Julián Fuks, recentemente vencedor do prêmio Jabuti por seu romance A resistência (Companhia das Letras, 2015) e autor de Os olhos dos pobres pelo selo Malha Fina Cartonera, apresentou um texto intitulado “Da crise do realismo ao realismo crítico”, no qual refletia sobre a formação do romance, enfocando o caso latino-americano. Segundo reportagem de Aryanna Oliveira:

Relacionando sua tese de doutoramento com outros rumos e, em especial, o modo de escrever do acadêmico e escritor alemão W. G. Sebald, Fuks falou “passando por temas como a historicidade da literatura; a agonia do romance (e suas resiliências entre as atividades humanas essenciais); o silêncio e a impossibilidade da escrita; a emulação do mundo pela ficção; a utilização do trauma como suporte de criação; e, o romance como testemunho do mundo, entre outros assuntos. (OLIVEIRA, 2016)

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Neste semestre, buscamos fazer com que o blog fosse também um espaço em que os leitores pudessem acompanhar eventos importantes para o mundo cartonero e das editoras independentes. Nesse sentido, é importante acessar “As cartoneras no Oceanos e “Feira Miolo(s) 2016: um modelo de independência editorial, ambos de autoria de Chayenne Mubarack e “Da Festa do livro da USP ao Salão Carioca do Livro , de Tatiana Faria. Os últimos textos refletem desde diferentes perspectivas sobre o mercado editorial independente, especialmente sobre as feiras literárias, tendo como base a Feira Miolo, a Festa do livro da USP e a LER — Salão Carioca do Livro. Já o primeiro texto, por sua vez, aborda a colocação de Atlântico, de Ronaldo Correia de Brito, publicado pela Mariposa Cartonera, como semifinalista do prêmio Oceanos.

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Entre os dias 22 e 27 de novembro, a Malha Fina participou de dois grandes eventos: a 18ª Festa do livro da USP, a convite do GMARX, e a LER — Salão Carioca do Livro, em parceria com a Mariposa Cartonera, selo editorial recifense fundado por Wellington de Mello. Essas duas iniciativas foram extremamente importantes para os calendários livreiro e literário de São Paulo e Rio de Janeiro e intensificaram a venda de livros.

O Salão Carioca do Livro foi a primeira viagem em equipe da Malha Fina, que foi representada pela Idalia Morejón, Tatiana Faria, Larissa Pavoni e Mariana Costa Mendes. O evento cultural festejou a literatura com uma diversificada programação. Durante os quatro dias, a programação do evento contou com a presença de vários escritores, escritoras e artistas reconhecidos. Em matéria de inovação, a participação da Malha Fina Cartonera e da Mariposa Cartonera consagrou o espaço das editoras independentes e artesanais em um stand construído em conjunto, no qual vendemos tanto nossos livros quanto os da Mariposa, vindos de Recife.

Além de vender os livros cartoneros, tivemos a oportunidade de estar ainda mais em contato com o público em duas oficinas oferecidas no espaço Oficina Literária no sábado e no domingo, em que explicamos o nosso projeto para cerca de 50 pessoas, entre crianças e adultos, e demonstramos o fazer do livro cartonero.

Você pode conferir a reportagem sobre esse evento em: “Cariocas por quatro dias: a Malha Fina na LER – Salão Carioca do Livro”, escrito por Larissa Pavoni Rodrigues e Mariana Costa Mendes, que também editou um vídeo sobre os quatro dias de evento e você pode conferi-lo abaixo!

Sobre o mundo cartonero, foi muito frutífera a visita de Darío Ares, do Grupo de Acción Cultural que organiza a Rita Cartonera, em Rosário, na Argentina. Darío esteve na Universidade de São Paulo no dia 29 de novembro para conversar com a equipe da Malha Fina Cartonera. O multiartista falou sobre a concepção e organização da Rita Cartonera, projeto atuante desde 2015 e que já tem dois livros publicados: La casa de cartón, de Martín Adán e Evita traicionera, de Washington Cucurto. Mais sobre a visita de Darío e seu projeto pode ser visto em “Rita, a selvagem, em terras brasileiras”.

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Ainda nesse sentido, vale ainda a leitura de “Entre o design visível e o invisível: entrevista com Iara Camargo, entrevista feita por Larissa Pavoni Rodrigues e Jeison Oliveira a Iara Pierro de Camargo, designer da Malha Fina Cartonera. Iara é formada em Design e recentemente defendeu a tese de doutorado “O livro de literatura: entre o design visível e o invisível” na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Até o momento, assinou o projeto gráfico das edições de Poesia Língua Franca, A escrita riscada e 2 ensaios. Na entrevista fala sobre sua carreira, projetos e sua participação na Malha Fina Cartonera:

“As pessoas muitas vezes não têm sensibilidade quanto à forma e à preocupação estética do livro. Algumas pessoas se preocupam em ter, em colecionar e possuem um carinho pelo livro, mas para algumas pessoas isso passa despercebido e elas não percebem a importância do projeto gráfico, de como é difícil de produzir. Acho que vocês da Malha Fina estão sensibilizando as pessoas em relação a isso, e mostrando que é possível fazer coisas diferentes com materiais que não são nobres, como o papelão. Além de trazerem a ideia do objeto único, porque cada livro é único, tem uma capa única.” (CAMARGO, 2016)

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Um pouco sobre a tese de doutorado “O livro de literatura: entre o design visível e o invisível” defendida por Iara Pierro de Camargo na FAU/USP.

O trabalho estético com o livro também foi tema de “Malha Fina Cartonera nos jardins da academia, com a participação de Andrés Hernández. O curador, professor e doutorando pelo Instituto de Artes da UNICAMP organizou a exposição “Dos Jardins das academias” na sala de exposições do Laboratório experimental de Artes (Aquário), da Universidade Federal de Uberlândia. A exposição contou com capas feitas para livros cartoneros por diversos artistas, alunos de uma disciplina ministrada pelo curador.

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Além disso, a capa desse semestre da revista Landa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi elaborada por dois de nossos monitores: Pacelli Dias e Cristiane Gomes. Você pode conferir a capa abaixo e clicando aqui você ter acesso a todo conteúdo da revista.

Capa da revista Landa (UFSC) elaborada por Pacelli Dias e Cristiane Gomes.

Capa da revista Landa (UFSC) elaborada por Pacelli Dias e Cristiane Gomes.

Em novembro, a equipe da Malha Fina ministrou mais duas oficinas: uma como parte da IV Jornada Pedagógica da Diretoria Regional de Educação do Butantã e outra na Escola Municipal Jocymara de Falchi Jorge. A primeira foi realizada no dia 9 de novembro na EMEF Maria Alice Borges Ghion e dela participaram professores da rede pública de ensino. Com o tema “Currículo Emancipatório em Movimento: Reencantamento do Mundo e da Educação”, foi um dia de debates não só sobre a natureza das cartoneras e os processos de confecção dos livros, mas também sobre as suas possibilidades de disseminar o projeto cartonero nas escolas, contribuindo para a produção literária e artística dos alunos.

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A última oficina do semestre aconteceu no dia 21 de novembro, na Escola Municipal Jocymara de Falchi Jorge, localizada na Vila Carmela (Guarulhos/SP). Participaram alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I. No dia, foi produzido o título Poesia na Escola, conjunto de poemas sobre a infância escritos pelos alunos sob coordenação das  professoras Cícera e Sueli. A diagramação do miolo foi feita pela monitora Cristiane Gomes. Você pode ver mais detalhes sobre as duas oficinas em “Malha Fina nas escolas: um semestre em retrospectiva, uma reportagem feita por Larissa Pavoni e Chayenne Mubarack.

As experiências nas escolas fazem parte de nossa proposta de propagar a literatura em espaços nos quais ela circula de maneira reduzida, e nos sentimos satisfeitos por termos dado esse grande passo e contribuído para a formação dos muitos estudantes e professores da rede pública que tivemos contato.

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Para o ano que vem as novidades já são várias: estamos muito animados pois agora temos uma sala própria, localizada no prédio de Letras de nossa faculdade, onde poderemos guardar nossos livros e materiais, além de organizar reuniões e oficinas.

Agradecemos muito cada um que cruzou nosso caminho e nos proporcionou tão rica troca de experiência ao longo do ano de 2016, seja em eventos, oficinas, feiras, saraus, cada colaborador e colaboradora do nosso blog, e seguimos contando com vocês ano que vem! Até lá!

Equipe Malha Fina Cartonera

Cariocas por quatro dias: a Malha Fina na LER – Salão Carioca do Livro

por: Larissa Pavoni Rodrigues e Mariana Costa Mendes

Entre os dias 24 e 27 de novembro, a Malha Fina Cartonera desembarcou no Rio de Janeiro para participar da LER – Salão Carioca do Livro, no Píer Mauá, espaço conhecido por estar próximo ao Boulevard Olímpico, mas que se transformou em um grande Boulevard Literário!

O evento cultural festejou a literatura com uma diversificada programação, das 10h às 21h. Durante os quatro dias, a programação do evento contou com a presença de vários escritores, escritoras e artistas reconhecidos que você poderá conferir no vídeo abaixo.

Foi a primeira edição do evento que provou sua magnitude, com a participação de 80 mil pessoas aproximadamente – número esperado pela organização –, em que os amantes da literatura se encontraram com escritores, diversas editoras e livrarias, e atrações para todas as idades: mesas redondas, lançamentos de livros, bate-papos e oficinas, exposições interativas, apresentações teatrais, encontros com blogueiros, saraus abertos, entre outras atividades com entrada gratuita para o público.

Tal celebração do livro marcou a nova “era” da zona portuária, tão importante para a gêneses da cultura carioca, local onde mercadorias, pessoas, ideias chegavam e passavam, misturando-se ao ritmo da cidade. Agora, renovado e mais acessível aos cariocas, o espaço demonstrou ser ponto de fusão entre a tradição e a inovação na LER – Salão Carioca do Livro, em que escritores novos e consagrados, livros recém-publicados ou não foram promovidos abertamente.

Em matéria de inovação, a participação da Malha Fina Cartonera e da Mariposa Cartonera consagrou o espaço das editoras independentes e artesanais, em um stand construído em conjunto, no qual vendemos tanto nossos livros quanto os da Mariposa, vindos de Recife.

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Livros da Mariposa Cartonera. Foto: Mariana Costa Mendes.

Além de vender os livros cartoneros, tivemos a oportunidade de estar ainda mais em contato com o público em duas oficinas, oferecidas no espaço Oficina Literária no sábado e no domingo, em que explicamos o nosso projeto para cerca de 50 pessoas, entre crianças e adultos, e demonstramos o fazer do livro cartonero. Esperamos, com isso, que nosso objetivo seja alcançado e aquilo que nos motiva – os vários professores, professoras, pais, crianças, estudantes, escritores, inspirem-se no projeto cartonero e sigam (re)produzindo uma literatura mais acessível, artesanal, presente.

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Oficina Cartonera durante a LER. Foto: Mariana Costa Mendes.

Ficamos impressionadas com a recepção do público em geral. Muitas pessoas passaram por nós e puderam nos ouvir e conhecer o universo cartonero, além de comprarem nossos livros, e levarem consigo nosso contato e o catálogo de nossas publicações. Para nós, foi muito gratificante e renovador cada momento que passamos ali aprendendo, ensinando e trocando estas experiências com os leitores. Enfim, uma viagem para ficar na memória!

Agradecemos ao Wellington de Melo, da Mariposa Cartonera, pelo convite e à toda equipe de organização da LER – Salão Carioca do Livro, principalmente ao Julio Silveira, curador da LER.

Editoras e livrarias que participaram como expositores:

Livraria Travessa, Livraria Berinjela, Grupo Autêntica, Mórula Editorial, Livraria Leonardo da Vinci, Imã Editorial, Blooks Livraria, Malha Fina & Mariposa Cartoneras, Pipoca Press, Kitabu Livraria Negra, Edições de Janeiro, Panda Books, Folha Seca, Mauad, Booklook, Editora Cidade Nova, LSM distribuidora de livros, A Bolha Editora, Carambaia, Paulus Livraria, Sebo Baratos da Ribeiro, Roça Nova Editora, Livraria Eldorado, Copabooks, Associação Estadual de Livraria do Rio de Janeiro, Beleléu, Babilônia Cultura Editorial, Livraria República, Paulinas Editora, FEB. (Fonte: 1001 Roteirinhos)

Malha Fina nas escolas: um semestre em retrospectiva

por: Chayenne Mubarack e Larissa Pavoni Rodrigues.

Neste segundo semestre, a Malha Fina realizou três importantes oficinas em escolas públicas. Já em clima de retrospectiva, esse post será um relato dessas experiências tão enriquecedoras para a equipe de trabalho, professoras, alunas e alunos.

A primeira oficina aconteceu no dia 7 de outubro, na Escola Municipal General Euclydes de Oliveira Figueiredo, onde demonstramos o fazer cartonero para cinco turmas de crianças e jovens entre 11 a 15 anos, do 5º ao 9º ano. Os livros confeccionados foram escritos pelos próprios alunos, trabalhados em conjunto com a professora de artes Silvia Martins, e as professoras de português. Entre eles, a coletânea Contos de Terror e uma de poesia; além do livro Simão está dormindo, do escritor Paulo Nunes. A monitora Mariana Costa Mendes diagramou o miolo dos livros.

 Após nossa visita, recebemos com alegria a notícia de que o projeto cartonero continuou a todo vapor na escola. Os alunos adaptaram materiais geralmente usados no dia-a-dia e seguiram produzindo seus livros, de maneira muito criativa e artística. Esperamos continuar recebendo notícias inspiradoras da Escola Euclydes Figueiredo e desejamos sucesso aos mais jovens alunos cartoneros!

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Foto: Silvia Martins.

A segunda oficina ocorreu no dia 9 de novembro na EMEF Maria Alice B. Ghion, em meio à IV Jornada Pedagógica da Diretoria Regional de Educação do Butantã. Com o tema “Currículo Emancipatório em Movimento: Reencantamento do Mundo e da Educação”, foi um dia em que educadoras e educadores atuantes em escolas públicas municipais da região do Butantã se encontraram em diversas escolas para participar de debates, palestras, vivências e relatos de práticas sobre diversos temas relacionados à educação.

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A Malha Fina coordenou duas oficinas, de manhã e à tarde, para cerca de 40 educadoras e educadores de diferentes escolas que se mostraram muito animados e dispostos a aprender as etapas de produção do livro. Cada um deles cortou, costurou, pintou e levou consigo seu próprio exemplar de livro cartonero.

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Participar da Jornada Pedagógica foi importante tanto para nós quanto para esses educadores, pois além de entrarem em contato com o selo editorial Malha Fina Cartonera, um projeto universitário que visa a difusão da literatura e formação acadêmica e profissional dos alunos, puderam trocar experiências e práticas que poderão contribuir para disseminar o projeto cartonero em suas escolas, enriquecendo a produção literária e artística dos alunos da rede pública.

A terceira oficina do semestre aconteceu no dia 21 de novembro, na Escola Municipal Joycimara de Falchi Jorge, na Vila Carmela, Guarulhos, desta vez com os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I.

Antes da chegada da Malha Fina, os alunos produziram, sob a orientação das professoras Cícera e Sueli, o caderno Poesia na Escola, tendo a infância como tema central. A monitora Cristiane Gomes diagramou o miolo do livro com os poemas dos alunos.

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Parte do livro “Poesia na Escola”, com poesias escritas pelos alunos dos 3º anos A e B do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Joycimara de Falchi Jorge.

Chegando à escola, os monitores foram recebidos com um entusiasmo cativante das crianças, que nos abordavam ainda na entrada perguntando se éramos nós quem iríamos ensiná-los a fazerem livros. Realizamos duas oficinas, uma com o 3º ano A e outra com o B. Em ambas, os alunos foram divididas em dois grupos. Com as explicações e auxílios dos monitores, e sob a atenta supervisão deles, os alunos aprenderam um pouco mais sobre o livro em si, a parte material dele, enquanto desmistificaram a áurea inacessível que permeia este objeto.

Iniciamos o encontro mostrando-lhes nossa matéria prima: a caixa de papelão. Para os alunos parecia inacreditável que aquelas caixas virariam livros. Então, distribuímos papelões cortados previamente e realizamos as demais etapas com cada um: os furos, a costura do miolo, a dobra, o vinco, e a finalização. Também começamos um bate-papo sobre ideias de capas, quais temas ou ilustrações seriam interessantes para que conteúdo e visual estabelecessem um diálogo.

Depois da visita da Malha Fina, as duas professoras prosseguiram as atividades e pintaram as capas com os alunos. Os resultados podem ser conferidos abaixo. Nós, da Malha Fina Cartonera, agradecemos a acolhida amistosa da escola e esperamos poder repetir este momento construtivo mais vezes! Agradecemos também às professoras pelas fotografias.

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A experiência de realizar oficinas em escolas públicas abriu um novo campo de atuação para a Malha Fina. Dentro da nossa proposta de propagar a literatura em espaços onde ela circula de maneira reduzida, este foi um grande passo! Nos sentimos imensamente felizes por termos contribuído na formação destes estudantes e professores. Que este seja apenas o primeiro passo na construção de uma educação que pense o próprio livro, instigando cada vez mais os alunos a entrarem no mundo editorial. Estamos felizes por fazer parte desta história dando nossa contribuição!

Rita, a selvagem, em terras brasileiras

por: Cristiane Gomes e Pacelli Dias Alves de Sousa.

No dia 29 de novembro, a Malha Fina Cartonera recebeu para uma conversa Darío Ares, integrante do coletivo Grupo de Acción Cultural (GAC) e um dos responsáveis pelo projeto Rita Cartonera. Darío é um multiartista, tem formação em ballet, arte dramática, cinema e estudos culturais e em seus trabalhos, transita pela vídeo arte, design, literatura, performance, artes plásticas e indumentária. Como professor na Escuela de Diseño de Indumentaria filiada a Secretaria de Cultura e Educação da cidade de Rosário, desenvolveu, junto aos seus alunos o projeto Trece, uma marca coletiva de moda jovem com referências na arte urbana e no hip hop que levanta a bandeira do desarmamento. O nome Trece, surgiu através de uma série de coincidências, a mais trágica foi o assassinato do filho de 13 anos de uma de suas alunas.

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Dario Ares. Fonte: Facebook.

Violência e gênero fazem parte do trabalho de Darío, inclusive no seu trabalho com o GAC. Surgido em 2015, trata-se de um coletivo de trabalho formado por alunos e professores oriundos da Universidade Nacional de Rosário e artistas de diversas frentes, em parceria com coletivos e cooperativas de trabalho que tem como objetivo promover “práticas de arte colaborativas”: processos comunitários de trabalho artístico que acionem pessoas de diferentes lugares, classes, características e profissões em torno a projetos concretos de intervenção política e ambiental.

Dentro da proposta do GAC, de ser uma rede tecida entre distintos projetos e processos culturais, a cidade e seus restos, a academia e o mundo artístico, surge Rita Cartonera como uma intersecção: é criada na medida em que o trabalho cartonero se mostra como um campo de atuação fértil já que reflete a natureza e os objetivos do grupo. Para esta ação cultural, o grupo contou com um subsídio do Ministério de Inovação e Cultura de Santa Fé, assim como com um espaço cedido pelo estado e está associada a Cooperativa Luchadores Primero de Mayo, uma cooperativa de catadores formada pela família Gaetán, que vêem o trabalho de catador como tradição familiar e modo de vida. A vinculação da cartonera com a cooperativa permite a capacitação dos trabalhadores, proporcionando ganho extra através da venda do papelão já pintado e cortado para a cartonera.

O projeto editorial é assumido, em geral, por Mónica Bernabé, professora de Literatura Iberoamericana da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade Nacional de Rosário. O nome da cartonera é uma homenagem a Juana González, artista marginal, conhecida nos cabarés de Pichincha, zona de prostituição de Rosário, como Rita la Salvaje. Um de seus shows inspirou a coleção de textos inéditos El Ventilador*, voltada para a publicação de novos escritores. Rita tem sido presença constante neste primeiro ano da editora: não só pelo número que dá título à coleção, pela referência no logotipo – mistura entre calcinha e livro aberto – como, de certo modo, no primeiro livro publicado na coleção, Evita traicionera, de Washington Cucurto, já que Rita era também conhecida por sua devoção à Evita Perón. Cucurto, da Eloísa Cartonera, deu uma oficina para o GAC, com o objetivo de capacitar os membros do coletivo para a produção dos livros cartoneros. Segundo informações do site, os temas que envolvem a coleção são a sobrevivência do suporte livro em produtos de papelão, a democratização da informação por meio da tecnologia digital e os mitos em que se reconhece uma comunidade. Para 2017, Rita pretende publicar, como parte da coleção ventilador, Fantasía tropical e La serie negras, ambos de Washington Cucurto.

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Evita traicionera, de Washington Cucurto. Fonte: Grupo de Acción Cultural (GAC)/Rita Cartonera.

A outra coleção de Rita Cartonera é a Archivito americano, que publica textos utilizados nas cátedras de literatura, mas que são difíceis de serem encontrados, como La casa de cartón, de Martín Adán, primeira obra publicada na coleção, escrita pelo vanguardista peruano Martín Adán, pseudônimo de Rafael de la Fuente Benavides, na primeira metade do século XX, e foi escolhida por fazer parte de um conjunto de obras que “mientras se ríen de las instituciones, instituyen la literatura”.

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La casa de cartón, de Martín Adán. Fonte: Grupo de Acción Cultural (GAC)/Rita Cartonera.

O próximo título da coleção vai ser La princesa, de Clarice Lispector.

Vale notar que as relações com o Brasil não se resumem à esta publicação. Darío afirmou que a inspiração para criação da Rita Cartonera veio quando viu o trabalho da Dulcinéia Catadora, editora paulistana organizada pela artista plástica Lúcia Rosa, exposto no Museu de Arte do Rio. Para Darío, a aproximação da Rita com as cartoneras brasileiras, se dá no sentido de não ser trash, de existir um cuidado com a estética que aparece na organicidade visível das coleções. Há a opção pelo uso de uma paleta de cores determinada para cada título publicado, cores que se articulam com os temas em jogo e com os recortes que compõem as colagens e o acabamento dado aos livros é diferenciado. Evita traicionera vem com fechos, por exemplo, confeccionados com fitas nos mesmos tons utilizados para a pintura do fundo.

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A Malha Fina Cartonera e a Rita Cartonera são duas jovens cartoneras com muitas similaridades: ambas foram criadas em 2015, com o objetivo de atuarem como espaços de resistência editorial através da publicação de boas edições com valores acessíveis; como também delineiam caminhos e espaços de ação próprios: desde a relação que estabelecem com a sociedade, no que se refere aos projetos editoriais, às formas de produção e, inclusive, de trabalho. Entre proximidades e diferenças, conhecer outros projetos cartoneros é atestar as possibilidades de um movimento que só tende a crescer.

*No número el ventilador humano, a vedete apresentava-se com os seios cobertos por penduricalhos que giravam, de um lado com as cores do time Rosario Central e de outro com as cores do Newell’s Old Boys.