Feira Miolo(s) 2016: um modelo de independência editorial

por: Chayenne Mubarack

A feira Miolo(s) é um evento anual em São Paulo que reúne publicações de coletivos e artistas gráficos do mercado editorial independente latino-americano O evento ocorre ao longo de um dia, normalmente em novembro, com o intuito de colocar os visitantes em contato com esse eixo. Criada em 2014, a feira é organizada pela Lote 42 e pela Biblioteca Mário de Andrade.

Nesse ano, a feira ocorreu dia 05 de novembro, das 12h às 23h59. O saguão, corredores e entrada da Biblioteca Mário de Andrade foram tomados por diversas publicações dos mais diferentes tipos. Na banca de cada editora o visitante podia conversar com membros dela, inteirar-se sobre o projeto que estava em exposição e comprar livros que estão fora do grande circuito comercial. Esse é um dos objetivos da feira, promover o encontro do público com esse tipo de publicação.

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Saguão da Biblioteca Mario de Andrade durante a Feira Miolo(s). Foto: Mariana Costa Mendes.

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Estande das Edições Olhavê. Foto: Mariana Costa Mendes.

Também, no marco do evento, teve lugar a segunda edição do Prêmio Miolo(s), criado pelos organizadores da feira, que visa reconhecer e consolidar o trabalho de tantos artistas independentes. Os trabalhos finalistas estão em exposição na Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (Aber) até novembro de 2016. As categorias do prêmio são “Capa”, “Livro de Artista”, “Projeto Gráfico”, “Publicação de fotografia”, “HQ”, “Ilustração”, “Infantil” e “Homenagem”. O júri foi composto por três representantes da Lote 42, três da Biblioteca Mario de Andrade e três convidados.  A publicação vencedora da categoria “Projeto Gráfico” foi a Quelônio Solto #01, pela Editora Quelônio. A editora foi criada em 2013 por Sílvia Nastari e Bruno Zeni, e desde 2015 conta com a parceria de Maria Helena Sponchiado e Marcelo Parducci.

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Publicação vencedora da categoria “Projeto Gráfico”. Fonte: Quelonio.

A Malha Fina Cartonera conversou com Sílvia Nastari, design gráfica do projeto vencedor. O primeiro tema do bate papo foi a emergência de um mercado de editoras independentes no Brasil. De acordo com Silvia, estamos em um momento de grande sucesso para esse tipo de editora no país. A design chamou atenção para a importância de espaços como a Miolo(s), feiras que ajudam a divulgar esses trabalhos gráficos. A respeito de como começa um projeto gráfico, do surgimento da ideia, Silvia nos contou que os livros da Editora Quelônio são planejados como se fossem peças de arte, pensando no uso de diferentes técnicas, para então montar a capa. Na Quelônio Solto #01 eles utilizaram xilografia para envolver os textos a modo de capa, mas também poderiam pensar em distintas técnicas, como a serigrafia. A diferença de pensar em um projeto gráfico para editora independente, em contraposição às grandes editoras, é que as capas são planejadas de acordo com o texto, em diálogo direto com o livro, não importando, por exemplo, se cada edição sai diferente das anteriores.

Espaços como a Feira Miolo(s), que promovem, reconhecem e democratizam o acesso do público ao mercado editorial independente são muito importantes para a manutenção e promoção dessas editoras. O livro independente tem muitas dificuldades para circular (no caso dos livros cartoneros, você pode ler mais sobre em “As Dificuldades do Fazer Cartonero“), mas esses eventos estimulam o nosso fazer e nos mostram a boa receptividade que temos frente ao público. Avante!

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