Um semestre de fôlego: a Malha Fina em retrospectiva

por: Pacelli Dias Alves de Sousa e Mariana Costa Mendes

Este foi um semestre de fôlego para a Malha Fina Cartonera: aproximadamente 1400 capas e contracapas pintadas, cinco livros publicados, diversas oficinas, eventos de lançamento, organização dos eventos associados ao II Seminário Internacional A Poesia como Língua Franca, além da preparação da nova coleção da cartonera.

Em 9 de março, realizamos a primeira oficina cartonera do ano na FFLCH. A oficina contou com mais de 20 participantes que aprenderam como funciona todo o processo de produção de um livro cartonero: desde o corte do papelão até a aplicação do título nas capas.

(Momento da pintura)

Momento da pintura. Foto: Caroline Costa Pereira

(Sala de trabalho)

Sala de trabalho. Foto: Caroline Costa Pereira.

Nesses primeiros meses do ano, também pudemos conhecer mais sobre as cartoneras existentes na América Latina e em outros países com o artigo “As Cartoneras pelo Mundo”, de Mariana Costa Mendes.

No dia 15 de abril, no Centro Universitário Maria Antonia, lançamos nossos primeiros livros, uma pequena coleção de literatura brasileira contemporânea composta por quatro obras: 22 poemas, de Fabiano Calixto, Os olhos dos pobres de Julián Fuks, Diálogos e Incorporações de Juliano Garcia Pessanha e O pretexto para todos os meus vícios de Heitor Ferraz. Estes livros foram feitos em parceria com outras editoras cartoneras: a Mariposa Cartonera do Recife, a Yiyi Jambo de Ponta Porã e a La Sofia Cartonera, de Córdoba, na Argentina. A escolha desses autores foi feita por se tratar de:

“autores importantes no cenário contemporâneo da literatura brasileira, (re)conhecidos por suas obras literárias e por seu papel na discussão sobre o atual status da literatura. Isto porque compartilham um posicionamento de escrita: são escritores também ligados à academia, como pesquisadores e/ou professores. Posição que não fica à parte, mas emerge nas incorporações que trazem à escritura, tanto da tradição literária quanto de outros discursos, como a filosofia ou a música.”

O trecho anterior foi retirado de uma resenha sobre as publicações, escrita por Pacelli Dias Alves de Sousa e publicada aqui no blog: “Coedições e outras considerações: Fuks, Pessanha, Calixto e Ferraz na Malha Fina“.

As primeiras publicações da Malha Fina

As primeiras publicações da Malha Fina. Foto: Júlia Izumino

Três dos quatro autores publicados em mesa mediada por Tatiana Lima Faria

Três dos quatro autores publicados em mesa mediada por Tatiana Lima Faria. Foto: Júlia Izumino

Vale lembrar ainda que publicamos uma série de entrevistas com os autores, que podem ser acessadas a seguir: “Garcia Pessanha: uma conversa do Fora para o Dentro”, de Débora Duarte, “Mais um pretexto”, de Ellen Maria Vasconcellos, “O que os olhos não estão acostumados a ver: memória de uma entrevista com Julián Fuks”, de Lia Ceron e “A centralidade dos afetos: entrevista a Fabiano Calixto”, de Rodrigo Damasceno.

No mesmo dia do lançamento, também anunciamos os ganhadores da Primeira Convocatória para Publicação Narrativa e Poesia da Malha Fina Cartonera. A convocatória buscava selecionar estudantes da graduação e pós-graduação da FFLCH nunca antes publicados e os vencedores foram: Mauro Augusto de Sousa (Filosofia) e Elvio Fernandes Gonçalves Junior (Letras – Linguística). Seus livros serão publicados no 2º semestre de 2016.

Os vencedores Mauro Sousa à esquerda e Elvio Gonçalves Júnior à direita

Os vencedores: Mauro Sousa à esquerda e Elvio Gonçalves Júnior à direita. Foto: Júlia Izumino

Se por motivos de força maior, infelizmente, o II Seminário Internacional A Poesia como Língua Franca não pôde acontecer, a Malha Fina seguiu seu caminho com a publicação da Antologia Poesia Língua Franca. Composta por 5 poetas e 5 poetisas (em ordem alfabética: Ana Porrúa, Carlos Ríos, Diana Bellessi, Edgardo Dobry, Irina Garbatzky, Jacqueline Goldberg, Jorge Luis Arcos, Néstor Díaz de Villegas, Silvio Mattoni e Sonia Scarabelli) que estariam presentes no evento, a obra é representativa de distintos movimentos da poesia contemporânea na América Latina. O lançamento aconteceu dia 29 de abril no Centro Cultural b_arco. No evento, os tradutores e colaboradores da Malha Fina Cartonera leram poemas da antologia. Este momento foi  gravado e editado por Ana Julia Travia e pode ser acessado em “Uma noite cartonera”.

A antologia em destaque

A antologia em destaque. Foto: Júlia Izumino

A Malha Fina Cartonera junto ao Seminário organizaram duas palestras com poetas e intelectuais que se apresentariam no Poesía Lengua Franca. Ambas as palestras ocorreram na FFLCH. A poeta argentina Anahí Mallol apresentou a conferência “Los traductores poetas y los poetas traductores” e Irina Garbatzky esteve à frente da oficina “Esto no es un performance”. Aqui no blog temos uma entrevista de Irina Garbatzky feita por  Chayenne Mubarack: “Partir da experiência do outro: algumas palavras com Irina Garbatzky“.

A poeta Anahí Mallol

A poeta Anahí Mallol em “Los traductores poetas y los poetas traductores”. Foto: Idalia Morejón Arnaiz

A poeta Irina Garbatzky

A poeta Irina Garbatzky em “Esto no es un performance”. Foto: Idalia Morejón Arnaiz

No dia 4 de junho, a Malha Fina marcou presença na “Feira de Livros Cartoneros: Criações e Publicações” que foi realizada no SESC Santo Amaro. No evento, estavam presentes também a Dulcinéia Catadora, a Sereia Cartonera, a Yiyi Jambo e outras editoras independentes. Além da feira, também ocorreu um bate-papo entre os editores sobre o funcionamento das editoras independentes e cartoneras.

Mesa da Malha Fina na feira de livros cartoneros do SESC Santo Amaro

Mesa da Malha Fina na feira de livros cartoneros do SESC Santo Amaro. Foto: Mariana Costa Mendes

Já em aquecimento para o próximo semestre, foram organizados dois eventos com o poeta, tradutor e ensaísta cubano Omar Pérez (La Habana, 1964). O reconhecido escritor, autor de obras premiadas, proferiu uma descontraída palestra no Centro Universitário Maria Antonia, chamada “Poesia e performance em Cuba: poéticas ilhadas”. Nela, versou  – com direito a demonstrações – das origens da performance na ilha caribenha até a sua própria obra. Além disso, Omar apresentou alguns de seus poemas, sempre acompanhados dos batuques do cajón, na 3ª edição do La Garçonière no Estúdio Lâmina. O momento foi filmado e dirigido por Krefer e logo será divulgado. Ainda na semana em que esteve em São Paulo, Omar foi entrevistado por Pacelli Dias Alves de Sousa e essa entrevista também será divulgada em breve.

Omar Pérez em performance

Omar Pérez em performance durante a 3º Edição do La Garçonière. Foto: Tatiana Lima Faria

No evento no Estúdio Lâmina, foram lançadas exclusivas edições de autor dos livros Vita Cora e Word, confeccionadas por Omar Pérez e Idalia Morejón Arnaiz. Omar Pérez é um dos autores que fazem parte da Coleção de Poesia e Performance da Malha Fina Cartonera e um de seus livros será traduzido por Idalia Morejón Arnaiz e Tatiana Faria Lima e será publicado em 2017.

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Edições de autor do livro-poema Word. Foto: Mariana Costa Mendes

Além do livro de Omar Pérez, iremos publicar as obras: 2 Ensaios, de Antonio José Ponte e A Escrita Riscada de Eduardo Lalo. O primeiro traz dois ensaios que versam sobre a figura de José Martí e receberam cuidadosa tradução de Clarisse Lyra. Lalo, autor portorriquenho de obra premiada, foi traduzido por Chayenne Mubarack. Tratam-se de obras inéditas no campo editorial brasileiro e já apontam a plenos pulmões um dos objetivos da Malha Fina: expandir no Brasil o acesso e o conhecimento sobre as literaturas do Caribe. Vale apontar ainda que os livros receberam um belíssimo trabalho gráfico da designer Iara Pierro de Camargo, colaboradora do projeto.

Capas já prontas de 2 ensaios

Capas já prontas de 2 ensaios, de Antonio José Ponte. Foto: Pacelli Dias Alves de Sousa

A Escrita Riscada

Modelo de capa de A Escrita Riscada, de Eduardo Lalo. Foto: Idalia Morejón Arnaiz

Este semestre realmente foi de tirar o fôlego! Voltamos às atividades em agosto!

¡hasta luego!

Poesia e Performance em Cuba: Omar Pérez

por: Mariana Costa Mendes

Na última semana tivemos o prazer de receber em São Paulo o poeta, tradutor e ensaísta cubano Omar Pérez López. Dentre as obras de Omar, podemos citar: Algo de lo sagrado (1996, traduzido para o inglês em 2007), Oíste hablar del gato de pelea? (1999), Canciones y letanías (2002), Língua franca (2009), La perseverancia de un hombre oscuro (ensaio, 2000, Premio de la Crítica), El corazón mediterráneo (ensaio, 2010), Word (CD, 2009), Cubanología (CD, 2015) , Tablet A (2015) e Filantropical (2016).

A passagem de Omar Pérez por São Paulo foi repleta de eventos. Na última quinta-feira, 16 de junho, ocorreu um bate-papo com o autor sobre “Poesia e Performance em Cuba: poéticas ilhadas” no Centro Universitário Maria Antonia (CEUMA/USP). Neste dia, Omar nos apresentou, utilizando o cajón, os antecedentes da poesia popular em Cuba, como o punto guajiro que evolui para la controversia – semelhante ao repente no Brasil –  e os toques de palo – que lembram a capoeira. Nos anos 1950 temos o movimento Filin em Cuba, no qual os artistas diziam as músicas, deixando assim um espaço ambíguo entre a melodia e o poema. A partir daí podemos conhecer as inspirações que dão origem ao estilo de Omar Pérez.

Já no sábado, 18, Omar participou de La Garçonière – 3ª edição no Estúdio Lâmina no qual perfomou Word, Teorema, Te prometieron una ley, Vacilón, Ronca ciudadSe hace lo que puede.

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Omar Pérez. Foto por: Tatiana Faria Lima.

Além disso, em La Garçonière também ocorreu o lançamento de seu livro Vita Cora em espanhol. O livro foi publicado pela Malha Fina Cartonera em edição de autor especialmente para o evento.

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“Word”. Foto por: Mariana Costa Mendes.

No Estúdio Lâmina também esteve presente o escritor Stefanni Marion lendo “Meus Documentos” de Alejandro Zambra e “Crônicas de motel” de Sam Shepard; Álvaro Faleiros cantando músicas do seu CD “Nada não, Canções”.

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Stefanni Marion lendo “Meus Documentos” de Alejandro Zambra e “Crônicas de motel” de Sam Shepard. Foto por: Mariana Costa Mendes.

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Álvaro Faleiros cantando músicas do seu CD “Nada não, Canções”. Foto por: Mariana Costa Mendes.

Durante esta semana, Omar nos concedeu uma entrevista, que foi feita por Pacelli Dias Alves de Sousa e será divulgada próximo ao lançamento da antologia de poesias de Omar Pérez no primeiro semestre de 2017 pela Malha Fina Cartonera.

Por enquanto, fiquem com àgua na boca com uma apresentação de Omar no 16° Festival Internacional de Poesía de Medellín (2006):

Da lâmina à malha fina: da poesia à performance

por: Larissa Pavoni Rodrigues

Localizado no centro histórico de São Paulo, próximo ao Vale do Anhangabaú e do Edifício Martineli, o Estúdio Lâmina é um espaço cultural que promove diálogo entre diversas modalidades, reunindo Artes Visuais, Música, Fotografia, Literatura, Poesia, Performance, VideoArte, Cinema, Teatro, Dança, Moda e Circo (fonte). Criado em 2011 para ser um estúdio criativo em movimento, essa casa-galeria é, hoje, uma residência artística em um antigo apartamento da década de 40.

Espaço de troca, invenção e diálogos de arte contemporânea, abrigado no quarto andar do prédio da São João com a Líbero Badaró, o Estúdio Lâmina nasce com a proposta de ser um Espaço de Cultura Independente. Estimula e divulga o trabalho de novos artistas da cena contemporânea, localizado no centro do que era, em meados do século XX, a mais importante e nobre zona de São Paulo.

Nesses tempos antigos de 1917, perto desse mesmo local, na própria Rua Líbero Badaró, 67, 3º andar, sala 2, funcionava a Garçonière de Oswald de Andrade. Durante dois anos, o local servia de ponto de encontro entre o escritor e seus amigos, mulheres, amantes, sendo a principal a adolescente Maria de Lourdes Pontes, uma estudante de 16 anos do Colégio Caetano de Campos, chamada pelo escritor de Miss Cyclone e que fascinava a todos por frequentar esse tipo de lugar. Entre os admiradores e frequentadores estavam Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto, Di Cavalcanti, Monteiro Lobato, Menotti del Picchia, entre outros (fonte).

Sem dúvida, a Garçonière da época de Oswald de Andrade foi marcante para a literatura paulistana desse tempo. Nesse local de muita história, discussão, brigas, amores e manuscritos pelo chão, aconteceu o grande ensaio do que seria a Semana de Arte Moderna de 1922: assim, os frequentadores do covil oswaldiano anteciparam a era modernista. Oswald de Andrade compôs ali o primeiro esboço do seu romance Memórias Sentimentais de João Miramar, publicado em 1924, sendo uma grande obra da literatura modernista.

Hoje, “num prédio muito parecido ao da Garçonière oswaldiana, o artista Plástico e Curador Luciano Corta-Ruas e o Editor e Poeta Vanderley Mendonça são curadores de uma casa-galeria a apenas cem metros de onde funcionou a de Oswald de Andrade. A moderna Garçonière do século XXI abriga amigos, poetas, escritores, artistas e convidados numa das salas do Estúdio Lâmina (galeria e ateliê que reúne artistas residentes de várias partes do Brasil e estrangeiros). Com o mesmo espírito modernista de paradoxo, fraternidade, arte & vida, os organizadores abrem as portas ao público uma vez por mês.” (fonte)

Em 21 de novembro de 2015 tivemos uma primeira experiência nesse local, quando houve o lançamento dos livros da Coleção Especial da parceira Mariposa Cartonera: o “Caderno de Vias Paralelas”, de Idalia Morejón Arnaiz, a diretora do projeto Malha Fina Cartonera. Nessa ocasião, também tivemos participação do escritor e editor Wellington de Melo e leitura com a poeta Idalia.

Na Garçonière de Junho de 2016 terá muita arte, música e poesia. Nesse próximo evento do Estúdio Lâmina, dia 18 de Junho, a Malha Fina irá participar com o lançamento de Cubanologia, do poeta cubano Omar Pérez, traduzido por Tatiana Lima Faria e Idalia Morejón Arnaiz. A Programação desse dia será a seguinte:

PROGRAMAÇÃO (Retirada do Evento do Facebook – Estúdio Lâmina):

https://www.facebook.com/events/120306768389367/

Sábado, 18 de Junho de 2016
Das 20 h às 24 h

POESIA E LEITURAS:

  • Stefanni Marion lê “Meus documentos”, de Alejandro Zambra, e “Crônicas de motel” de Sam Shepard.
  • Tatiana Lima Faria e Idalia Morejón Arnaiz recebem o poeta cubano Omar Pérez, que lança Cubanologia (Malha Fina Cartonera)
  • Jorge Ialanji Filholini lê “Somos mais limpos pela manhã” (Selo Demônio Negro, 2016), com participação do poeta Everton Behenck, que também fará leitura de poemas de seu novo livro “Nada mais maldito que um amor bonito”.
  • Nada não, Canções de Álvaro Faleiros
  • d’estado, enviés, golpe: sousândrade, querida: leitura dentro dos ritos da delação premiada: ecos dos prelos do nfrn d wll strt por RIVΞЯΛO

PERFORMANCES:

Oswaldakovski, uma homenagem a Boris Schnaiderman, por Lucio Agra

Duo d’ Esgrima, com Vanderley Mendonça e Rodrigo Baldin.

MÚSICA:

  • Lua Rodrigues e Diruajo
  • Kessidy Kess

LANÇAMENTOS:

  • MAIAKÓVSKI, Fotolivro de Neide Jallageas. Edição de 30 exemplares numerados e assinados; KARTINI – Kinoruss Edições. Encadernação artesanal.
  • O GUESA, de Sousândrade. Selo Demônio Negro. Edição de Vanderley Mendonca; Prefácio de Augusto de Campos.
  • O LIVRO DA GARÇONIÈRE, para registro e anotações dos convidados.
  • CUBANOLOGIA, de Omar Pérez. Trad. Tatiana Lima Faria e Idalia Morejón Arnaiz (Malha Fina Cartonera)

O endereço é Avenida São João, 108 (Esquina com Rua Líbero Badaró), a entrada custará R$ 15,00 e terá uma bar no local para tomarmos algo enquanto se vê toda essa programação multiartística, revivendo a época em que se iniciou a arte nesse lugar.

Contamos com a presença de vocês em mais um evento de participação da Malha Fina!

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Fonte: Facebook.

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Extras:

Artistas ocupam prédio desabitado no centro histórico de São Paulo. Objetivo do grupo de cerca de 100 pessoas é transformar o edifício de 13 andares em espaço para residências artísticas, centro cultural e de capacitação: http://oglobo.globo.com/cultura/artistas-ocupam-predio-desabitado-no-centro-historico-de-sao-paulo-12439661

Diário caótico do romance de Oswald e Deisi: http://outraspalavras.net/posts/diario-caotico-do-romance-de-oswald-e-dei

Feira de Livros Cartoneros: Criações e Publicações no SESC Santo Amaro

por: Mariana Costa Mendes

No último sábado, dia 4 de junho, nós participamos da “Feira de Livros Cartoneros: Criações e Publicações” que ocorreu no SESC Santo Amaro. Além da Malha Fina Cartonera, também estiveram presentes as editoras independentes Patuá, Selo Demônio Negro, Corsário-Satã, Luna Parque Edições e as editoras cartoneras Dulcineia Catadora, Yiyi Jambo e Sereia Ca(n)tadora.

A seguir você pode conferir um pequeno vídeo mostrando um pouco do evento:

Enquanto a feira ocorria, tivemos um bate-papo e um pequeno sarau entre os editores e autores presentes: Idalia Morejón Arnaiz e Tatina Lima Faria (Malha Fina Cartonera), Douglas Diegues (Yiyi Jambo), Lucia Rosa (Dulcineia Catadora), Ademir Demarchi (Sereia Ca(n)tadora), Eduardo Lacerda (Patuá), Vanderley Mendonça (Demônio Negro), Fabiano Calixto e Bruno Brum (Corsário-Satã), Leonardo Gandolf (Luna Parque Edições), Reuben da Rocha (Pitomba/Gurugutu) e Carlos Pessoa Rosa (publicado pela Dulcineia Catadora). Nesse bate-papo foram abordados vários temas acerca da publicação de livros independentes, por exemplo, sobre como funciona a distribuição dos livros, frequentemente feita sob consignação; a necessidade e a dificuldade de se conseguir o ISBN – um livro que não tem o registro na Biblioteca Nacional não pode ser comercializado nas livrarias, e por conta disso, às vezes o livro cartonero é mais valorizado por suas característica artísticas e não tanto pela qualidade literária; também foi discutido o pequeno espaço reservado às editoras independentes nas feiras de livros espalhadas pelo Brasil.

Foram bastante debatidos características próprias do mercado editorial brasileiro, quanto aos lucros que as grandes livrarias físicas obtêm a partir do preço de capa de um livro (em torno de 40% a 50% do valor). Além disso, como grande parte de nossa população não tem o hábito da leitura, o nosso mercado editorial ainda é pequeno comparado a outros países. Em meio a tantas questões e dificuldades, é admirável que as editoras independentes e as cartoneras consigam estabelecer um nicho e se manter no mercado. Esse sucesso se deve aos leitores que enxergam o valor literário que há nas obras publicadas pelas editoras independentes/cartoneras e também ao interesse dos próprios escritores em explorar modos alternativos de autogestão editorial.

A seguir encontram-se fotos do bate-papo:

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Uma noite cartonera

por: Mariana Costa Mendes

No dia 29 de abril aconteceu o lançamento da Antologia “Poesia Língua Franca” no b_arco – centro cultural contemporâneo. Neste dia realizamos um sarau e lemos alguns poemas desta antologia. O sarau foi filmado e editado por Ana Julia Travia (ECA/USP). A seguir vocês podem conferir nossas apresentações:

Manuela Garanhani lendo “Poética” de Jacqueline Goldberg, traduzido por Idalia Morejón Arnaiz e Tatiana Lima Faria.

Idalia Morejón Arnaiz  lendo “Memória (ou cânone) do perdedor” de Jorge Luis Arcos, traduzido por Ellen Maria Vasconcellos.

Ellen Maria Vasconcellos lendo “Poemas para cobrir a cara” de Carlos Rios, traduzido por ela mesma.

Pacelli Dias Alves de Sousa lendo um poema de Néstor Díaz de Villegas traduzido por ele mesmo.

Chayenne Mubarack lendo “A questão do chocolate” de Edgardo Dobry, traduzido por ela mesma.

Caroline Costa Pereira lendo “O que não me ensinou minha mãe”, da Irina Garbatzky e traduzido por Ellen.

Mariana Costa Mendes lendo “O rio” de Sonia Scarabelli traduzido por Idalia e Tatiana.

Cristiane Gomes lendo “O malho” de Diana Belessi, traduzido também por Idalia e Tatiana.

Larissa Pavoni, lendo “civitatem” de Ana Porrúa, também traduzido Idalia e Tatiana.

Por fim, temos Tatiana Lima Faria acompanhada de Victor Mendes ao violão, lendo “Dias paulistas” de Silvio Mattoni, traduzido por Larissa e pela Tatiana.

Ao final, tivemos também uma parte com microfone aberto, na qual as pessoas que compareceram ao nosso laçamento/sarau também puderam participar e recitar poemas. A seguir temos a poeta argentina Anahí Mallol lendo um poema do seu último livro, Una ciudad:

No próximo dia 04 de junho, do meio-dia às 18hs, participaremos da Feira de Livros Cartoneros: Criações e Publicaçãoes no SESC Santo Amaro. A programação será a seguinte:

  1. Encontro de editores para troca de experiências e perspectiva deste modelo de publicação (14h às 16h)
  2. Mini-sarau com poetas e escritores que publicaram neste formato (17h – 18h30)
  3. Feira de livros/publicações organizada pelas editoras. (12h  – 18h)

O SESC Santo Amaro está localizado na R. Amador Bueno, 505, próximo à Estação Largo Treze (Metrô – Linha 5 – Lilás).