Jorge Enrique Lage: como Bartleby, o corvo de Melville… Entrevista a Antonio José Ponte

Entrevista por: Jorge Enrique Lage publicada em Hypermedia Magazine.
Traduzida por: Pacelli Dias Alves de Sousa.

Recentemente, a Malha Fina Cartonera publicou, em tradução de Clarisse Lyra, o livro 2 Ensaios [para saber mais sobre o livro, clique aqui], do poeta, narrador e ensaísta cubano Antonio José Ponte (Matanzas, 1964), num esforço por divulgar no Brasil a literatura contemporânea do Caribe, tendo como critério de seleção, o ineditismo do autor, a altíssima qualidade literária das suas criações, a incorporação destas obras ao currículo da literatura latino-americana dos cursos de letras nas universidades do Brasil, assim como a falta de interesse do mercado editorial por autores que não chegam ao país com as garantias de crédito dos cadernos de resenhas dos grandes jornais da Europa e dos Estados Unidos. Ponte é considerado um dos mais prestigiosos ensaístas cubanos do presente. Entre seus ensaios destacam Las comidas profundas (1997), Un seguidor de Montaigne mira La Habana (2001), El libro perdido de los origenistas (2002), assim como “El abrigo de aire” (2001) e “Historia de una bofetada”, estes dois últimos recolhidos em 2 Ensaios, e escritos contra as manipulações de José Martí por parte do poder político revolucionário. A entrevista, publicada recentemente em Hypermedia Magazine [clique aqui] e traduzida para Malha Fina por Pacelli Dias Alves de Sousa, apresenta aos leitores brasileiros um panorama da obra deste importante escritor cubano, comentada por ele mesmo, revela suas obsessões com a cidade de Havana, com os grandes mestres da tradição literária da Ilha, as difíceis relações entre o Estado cubano, as novas tecnologias e os intelectuais, recomenda autores e obras da literatura latino-americana e norte-americana recente, e, para não carecermos de nada, fala também sobre o livro que virá, o Libro de una sola mano de Nitza Villapol, uma sorte de “manual para aprender a comer sozinho”.

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“2 Ensaios” de Antonio José Ponte. Foto: Mariana Costa Mendes.

Converso por e-mail com Antonio José Ponte, que se encontra na Universidade de Princeton por estes meses, ocupado com trabalhos de docência. É um diálogo intermitente – que eu desejaria que fosse interminável, nunca falei com ele ao vivo – no qual às vezes imagino que minhas perguntas vão abrindo caminho em um campus muito agitado, intercalando-se a força na fila das perguntas que os estudante dirigem a ele.

Se me perguntassem, e por sorte não me perguntam, diria-lhes que dois dos melhores livros cubanos entre todos os publicados no que passou deste século, dois livros fundamentais, levam a assinatura do escritor à frente.

Em um destes livros, El libro perdido de los origenistas, encontramos esta declaração: “Eu me interesso menos pela obra intransferível de cada escritor que por suas figuras”. A atitude do autor é como aquela do “zelador de museu”, lemos, e explica assim sua “mania de perseguir emblemas – livro que se perde, casaco, sacola – para chegar a esses outros emblemas que são os escritores”.

Os ensaios que compõem El libro perdido de los origenistas se ocupam de escritores mortos. Mas, antecipando-nos o museu, é interessante como às vezes já é perceptível em certos escritores vivos essa figura literária, de importância singular, que funciona como impulso ativador de exibições históricas, estéticas, políticas, enfim. E são poucos aqueles dos quais se pode dizer algo semelhante.

Além da obra intransferível, algo do emblema está já, em minha opinião, em Antonio José Ponte dentro da literatura cubana. Um emblema in progress, ou latente, do qual nos tocou ser, por sorte, leitores contemporâneos. Oxalá sejam cada vez menos aqueles que não puderam, não souberam, ou não quiseram se dar conta do privilégio que isto significa.

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Antonio José Ponte. Fonte: Stanford.edu.

Acredito que para muitos dizer Ponte é como dizer Havana: um modo de pensar e registrar as ruínas. Mas você já está há mais de uma década vivendo na Europa e me interessa saber se há, ou pode haver, um Ponte cronista 2.0; como sua mirada de escritor explora, se o faz, a urbe do exílio. Parafraseando o Joaquim Sabina: pongamos que hablas de Madrid.

Estou há mais de dez anos vivendo fora, não voltei e Havana mudou muito desde então. Um dos cantos que me pareciam mais misteriosos da Habana Vieja está cheio agora, segundo me contam, de vida comercial, de pequenos negócios privados. Cirilo Villaverde fez deste canto o título de seu romance Cecília Valdés o La loma del ángel, que escreveu e publicou em versão definitiva em Nova York. No momento, viu-se necessitado de consultar detalhes topográficos ou de ambiente com alguns amigos que lhe restavam em Havana. Mas na intenção de Villaverde estava menos fazer da cidade um personagem que torná-la cenário de seus personagens. Nos meus livros, pelo contrário, Havana é protagonista. Para dizê-lo com um termo de romance psicológico: a Havana é um caso de consciência. E não poderia fazer esses trabalhos com a distância com que tinha Villaverde para escrever, sequer com a ajuda de amigos distantes.

Conheço Madri e um par a mais de cidades, mas nenhuma representa para mim o caso de consciência que é Havana.

Digo isto escaldado. Sem nostalgia e sem manhãs em que me desperte com a sensação de ter estado lá.

Lembro de uma frase sua em La fiesta vigilada: “Quando penso no futuro, meu desespero é urbanístico”. Sobre a modernização havaneira: gostaria de presenciá-la, vivê-la de perto? E narrá-la, te interessaria?

Viva onde viva, algo não mudou em minha relación com Havana, e é o entendimento dela como problema. Trata-se de uma capital paralisada por mais de meio século, que em algum momento começará a mudar abruptamente e a largos passos. Que tipo de cidade se estará fazendo? Creio que, junto com os especuladores imobiliários e as grandes construtoras, vão ter que ir a ela todos aqueles que, desde uma disciplina ou outra, pensam a cidade, sejam cubanos ou não. Serão necessários muitos especialistas e também muitos opinantes. E imagino que vai ser uma tremenda briga.

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“La fiesta vigilada”, de Antonio José Ponte. Fonte: Skoob.

Conjugando outro desespero no futuro: o desespero editorial. Revistas, selos editoriais e livrarias independentes, imprensa verdadeira… O que você deseja ver neste panorama em transição, nesta outra briga, quando o Estado cubano deixe de regular e fiscalizar tudo?

Em Havana sempre fui um leitor em caça por livros. Dos interessantes que podia encontrar em sebos, do interessante (mas muito pouco) que se publicava por essas datas, do que se achava em bibliotecas públicas e de tudo quanto podiam me emprestar os amigos. De modo que peço para os leitores cubanos variadas bibliotecas públicas livres de censura, boas edições recentes, sebos que os alegrem todos os dias e comércio eletrônico para que os livros cheguem desde as antípodas.

E, por favor, que sejam livros bonitos, para curar a vista de tanta miséria gráfica, pois os livros cubanos estão entre os mais espantosos do mundo.

Desejo revistas, claro. Editoras médias e pequenas. Desejo também que os grandes grupos editoriais desembarquem e abram ali suas filiais e lojinhas. E, já que trabalho em um jornal digital, desejo uma imprensa livre, entre a qual possa estar o Diario de Cuba.

Em Villa Marista en plata. Arte, política, nuevas tecnologías, você ensaiava a partir de uma série de eventos – a chamada guerrita de los e-mails, o ativismo dos blogueiros independentes, a aparição da Segurança de Estado na obra de alguns artistas – que marcaram uma época recente na vida intelectual dentro da ilha. Com a distância de uns poucos anos, pode se dar a impressão de uma fumaça que terminou se assentando, não tenho claro em cima do quê. Se um leitor te perguntasse hoje, com entusiasmo, em que parou tudo aquilo. O que diria a ele?

Bom, a primeira coisa que tentaria fazer é acalmar o entusiasmo deste leitor e me desculpar com ele caso esse meu livro tivesse alguma responsabilidade em seu entusiasmo. Mas, vejamos, em quê parou tudo aquilo? Em meu livro fiz que se notasse a aparição da figura do policial político, da Segurança de Estado na obra de alguns artistas. Era esperançador ver como esses artistas incluíam a vigilância e a repressão e a tortura em suas equações das circunstâncias cubanas.

Ali eu falava de Carlos Garaicoa, de Eduardo del Llano e do casal de artistas plásticos Yeny Casanueva e Alejandro González. Mas hoje pode-se comprovar que a grande maioria dos artistas e escritores, inclusive quando historicizam a vida cotidiana em Cuba, seguem sem se atrever a mencionar esse fator. Leonardo Padura, para citar um exemplo, alude à Segurança de Estado o menos possível e quando o faz, é pra eximí-la de responsabilidades e culpas. Não somente em seus romances: em Regreso a Ítaca, o filme de Laurent Cantet para o qual ele escreveu o roteiro, a repressora que impulsiona o protagonista ao exílio pertence, não à Segurança de Estado, mas ao Ministério de Cultura. Assim se diz várias vezes no filme: Ministério de Cultura.

E quando o protagonista tropeça em Madri com esta funcionária, que então tinha se exilado, tira a conclusão que ele já pode regressar a Cuba e voltar a viver em seu país. Porque o ataque que ele sofreu em Cuba deve ter vindo unicamente dela, que já não é um problema… Assim que na equação oportunista de Padura não é a Segurança de Estado, senão o Ministério de Cultura que se encarga de vigiar e reprimir, e nem sequer este ministério, mas uma funcionária tão hipócrita que acabou por se exilar… Tudo isto me leva a pensar no estranho de que seja tomado como novelista policial um escritor de conto de fadas como Padura.

Em Villa Marista em plata me ocupava da “guerrita de los e-mails”. Para não repetir a história aqui (os detalhes podem ser encontrados nas páginas do livro), aquela mobilização gremial serviu para que o grêmio de escritores e artistas renovasse os votos de fidelidade com as novas autoridades do pais, com Raúl Castro, que começava seu mandato. Vários Prêmios nacionais, como Reynaldo González, Antón Arrufat, Ambrosio Fornet e Eduardo Heras León, conseguiram salvar suas prebendas, e alguns sessentões como Arturo Arango e Desiderio Navarro fizeram méritos para, cedo ou tarde, receber o Prêmio Nacional.

Nesse livro me interessava também por outro traço de época, por como a telefonia móvel permitia difundir provas da violência de Estado. Dos atos de repúdio, das detenções, das destruições de interiores e as desocupações praticadas pela polícia política. Desde então podemos ver os rostos de muitos dos repressores. Em alguns casos, alcançou-se revelar suas verdadeiras identidades, para além do codinome de trabalho que utilizam. E é curioso ver como agora esses repressores usam espelhinhos para cegar com seus reflexos as filmagens e assim não ficarem expostos. Daí que inventaram a figura do capanga com pólvora, que antes não existia.

Mas bem, escrevi Villa Marista en plata sabendo que era um livro de época, cujas esperanças poderiam ser perfeitamente desmentidas. Era uma pequena crônica de uns pequenos dias, se me permitem apequenar o título de Octavio Paz, que por sua vez, tinha apequenado o título de Quevedo.

Mas então você crê que aquelas esperanças foram desmentidas? Como você vê os dias presentes?

Acredito que foram desmentidas sim. A aproximação que se vislumbrou entre intelectuais e ativistas políticos não teve mais consequências, não funcionou. A figura do intelectual que as instituições propõem em Cuba, ainda que estejam em mal momento e sejam puro cinismo, não sofreu muito dano, não tem contrapartida verdadeira. E surgiu um espaço de negociação entre artistas plásticos e comissários políticos sobre o qual me referi em um artigo publicado no El País: “La putinización del arte cubano” (clique aqui).

Depois de Contrabando de sombras, publicado em 2002, você voltou ao romance? La fiesta vigilada era melhor dizendo um material híbrido, uma espécie de ficção ou narrativa documental…

La fiesta vigilada foi publicado pelo seu editor espanhol em uma coleção de romances. O mesmo fez o editor alemão com a sua tradução. Suponhamos então que é um romance. Em todo caso, o que se aproxima vai estar mais perto de La fiesta… que de Contrabando…

Adiante para a gente algo sobre esse livro que virá.

Libro de una sola mano de Nitza Villapol, vai se chamar. Livro de uma mão sozinha porque os franceses chamam assim os livros eróticos, mas é que os livros de cozinha também o são: com uma você sustenta o livro e com a outra busca os ingredientes, abre e fecha a geladeira, agitado. E Nitza Villapol, porque me interessava a figura de quem compôs o conjunto de receitas gastronômicas mais popular em Cuba. Popular a tal ponto que, vivendo ela em Cuba, seu livro, Cocina al minuto, foi profusamente pirateado no exílio. E até onde sei, é o único caso em que isso ocorreu.

O que começou por um verbete de dicionário sobre ela que me encargaram, terminou sendo um livro no qual Nitza Villapol é como essas mulheres de Edward Hooper, comendo sozinha em um balcão. Temo ao final que o que escrevi seja um manual para aprender a comer sozinho.

Asiento en las ruinas é, se não estou errado, seu único livro de poemas publicado até agora. Podemos esperar, em um futuro não muito distante, um livro com a sua poesia inédita?

Tenho um para ordenar. Alguns dos poemas fui publicando em revistas. Este livro ainda é um montão de registros que embaralho e desembaralho sobre uma mesa, em Madri. Porque o ordenamento é a grande questão quando não se escrevem livros temáticos nem séries, mas poemas soltos, às vezes com muito tempo de distância entre eles.

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“Un arte de hacer ruinas y otros cuentos”, de Antonio José Ponte. Fonte: Amazon.

Falemos de leituras. Literatura latino-americana – ou norte-americana, ou europeia – contemporânea. Que autores não deixaria de recomendar? Que livros, que gêneros você leu com maior prazer nos últimos tempos?

Li com prazer The night, do venezuelano Rodrigo Blanco Calderón, um romance que poderia ensinar muitos narradores cubanos sobre como tratar com blecautes, como fazer uma mais oblíqua (mas não menos efetiva) narrativa política.

Outro romance, Muerte súbita, do mexicano Álvaro Enrique, que reuniu Caravaggio e Quevedo em uma aposta de tênis em Roma e reúne também um dos penachos de Moctezuma e uma bola de tênis feita com pelos (assim se fabricavam na época) de Ana Bolena.

Del amor absoluto y otros poemas sín títulos, poemas escritos em Roma pelo peruano Jorge Eduardo Eielson, no fim de sua vida. Mais um de seus romances: El cuerpo de Giulia-no.

La mucama de Ominculé, romance da dominicana Rita Indiana, e espero ler seus anteriores rápido.

Os poemas de Italianisches Liederbuch do argentino J. R. Wilcock, escritos em italiano e com título goethiano.

Sobre a literatura norte-americana contemporânea, sou mais um leitor de poesia e ensaios que de narrativa:

Acabei de ler os ensaios recém aparecidos de Elliot Weinberger – The Ghosts of Birds – e voltei a outro livro velho seu, Outside Stories.

A correspondência entre David Markson e Laura Sims, porque conhecia já os romances de Markson, feitos de citações e especialmente um em que joga com o bloqueio, não do escritor, mas do leitor.

As poucas páginas dos diários de Guy Davenport que aparecem em The Guy Davenport Reader, depois de ter lido e relido seus contos e ensaios (mas não Objetos sobre una mesa que é frouxo). E as traduções dos poetas arcaicos gregos que fez Davenport: Six Greek Poets.

Uma obra teatral de Sarah Ruhl composta a partir de fragmentos das cartas que se cruzaram Elizabeth Bishop e Robert Lowell: Dear Elizabeth.

The Albertine Project da canadense Anne Carson, um livrinho de nada sobre a presença e ausência de Albertine nas novelas proustianas. Mais a tradução de Las Bacantes de Eurípides feita por ela. E quanta poesia chinesa e japonesa tenha traduzido Kenneth Rexroth.

Mas como a lista está ficando muito longa, digo esses autores europeus: Giorgio Agamben, Guido Ceronetti, Joseph Brodski, Sophia de Mello Breyner Andresen, Georges Didi- Huberman, Leonardo Scciascia, Karl Schlögel, o Pier Paolo Passolini cronista (e os demais Passolinis), Roberto Calasso, Tomas Tranströmer…

Neste outono você vai oferecer um curso em Princeton sobre a figura do intelectual na literatura e no cinema cubanos entre 1959 e 2010. Quais coisas te pareceram mais interessantes ou chamativas nesse curso de meio século?

Tem sido curioso explicar a poesia de Heberto Padilla, terminar a aula, caminhar uns poucos metros e me encontrar em Linden Lane, a rua onde ele viveu na sua chegada ao exílio estadunidense. A mesma rua que deu nome à revista que Belkis Cuza Malé ainda publica.

Que minha aula esteja tão perto dela me parece um eco. Mas, um eco de quê? Não sei, de modo que me tornei um passeante habitual de Linden Lane para ver se descubro.

O curioso também de estar em conferência na Universidade de Virginia e escutar de um catedrático que Guillermo Cabrera infante viveu ali um semestre, como professor convidado. Perguntar a ele se por acaso Cabrera Infante alugava a casa de um professor de literatura inglesa por sabático e descobrir então que foi ali onde, impulsionado por uma biblioteca alheia, Cabrera Infante deu aquela estranha e magnifica entrevista ao The Paris Review na qual se estendeu sobre o ensaísmo inglês do século XVIII.

Não sei que possam dizer estas notícias de Padilla e Cabrera Infante com que tropecei. As duas são como histórias que transcorrem em um sonho, às quais não se chega a encontrar sentido. Por isso falo de eco: falta o resto inicial da frase.

Suponho que deve estar neste curso, porque não pode faltar, uma das figuras mais memoráveis da literatura cubana recente: o narrador-personagem de La fiesta vigilada, este que entre outras coisas relata sua expulsão da UNEAC, o reino oficial dos intelectuais cubanos.

Agradeço que tenha pensado nesta inclusão, mas sobre ela não pensei duas vezes. Lecuona plays Lecuona, que disco! Roland Barthes por Roland Barthes, que livro! Mas Ponte explains Ponte… “I would prefer not to”, como sempre respondia Bartleby, o corvo de Melville.

Preferiria não fazê-lo.

Obrigado.

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