Clássicas Traiciones em versões cartoneras

por: Pacelli Dias Alves de Sousa

Chegaram à biblioteca da Malha Fina Cartonera os livros da coleção Traiciones Cartoneras, editados pela La Sofía Cartonera, selo editorial associado à Universidade Nacional de Córdoba (UNC) na Argentina. Composta até o momento por oito livros, a coleção traz à luz textos de autores já pertencentes ao domínio público, porém em novas e cuidadas traduções. Assina a coordenação Silvia Cattoni, professora de literatura italiana da UNC. No que se refere às edições, em Traiciones, o leitor tem acesso a livros com roupagens mais tradicionais, sem contudo perder o charme cartonero próprio deste tipo de publicação.

Até o momento foram publicados os seguintes livros: La cabellera de Berenice y algunos poemas precoces de Catulo, em tradução de Silvio Mattoni, poeta e professor de estética na Universidad Nacional de Córdoba; El foso y el péndulo de Edgar Allan Poe, em tradução de Nancy Picón; Sobre Baudelaire, de Marcel Proust, com tradução de Virginia Garcia; dois volumes de contos (Cuentos I e Cuentos II) de Oscar Wilde, compostos por textos traduzidos por María Mercedes García, Marina Carrasco, Zaida Cabrera e Anabella Convers; Después de la línea de Ecuador do argentino-italiano Adrián N. Bravi; Poesías de Michelângelo, com tradução do italianista Sandro Abate e Un corazón simple, feito através de tradução colaborativa entre Ana Virginia Luna, Virginia Garcia, Pablo Luna, Virginia Ossana e Gabriela López.

15134820_10210938946455195_7575337707114704654_n

A tradução aqui tem papel fundamental, assumido desde o título da coleção. Traiciones é uma referência ao conhecido adágio italiano traduttore, traditore (tradutor, traidor). Se toda tradução é uma traição ao texto original, a coleção não só reclama seu papel como o usa com propriedade ao propor traduções que não busquem variantes das obras originais, senão modos de conservar as essências adaptando-as aos requisitos da língua de chegada e de um público vasto, como aponta o próprio editorial da coleção.

É no editorial ainda que a organizadora Silvia Cattoni lembra que a palavra traição tem a mesma origem da palavra tradição: se esta indica a transmissão de algo de uma geração a outra, aquela trata de uma transmissão ao grupo inimigo. No diálogo da traição, entra em jogo qual mensagem está sendo levada ao outro, nesse caso sem o tom despectivo do sentido original, mas visto como amigo e parceiro de conversas. Nesse sentido, a seleção dos livros é preciosa e buscou trazer textos ainda não traduzidos ao espanhol, ou de difícil acesso em edições.

Um exemplo é a obra Poesías, de Michelângelo. O livro traz uma seleção bilíngue de poemas do multiartista renascentista, explorando uma faceta menos conhecida de suas obras. Não somente, a coletânea, ainda que perpasse as diversas fases de sua escrita, tem um foco: os poemas escritos entre 1532 e 1547, em sua maioria dedicados ao amante Tomasso dei Cavalieri e à morte de sua mecenas Vittoria Colonna. Desde o prólogo, intitulado “Un homoerotismo distinguido: las rimas de Michelângelo” e assinado por Facundo Martínez Cantariño, o livro parece assumir um tom reivindicatório da imagem de Michelângelo, enquanto propõe um modelo de leitura mais pessoal e expressivo, enfrentando leituras retóricas.

Outras pérolas da coleção são certamente Un corazón simple, de Flaubert e Sobre Baudelaire, de Proust. Ambas escritas por renovadores da linguagem literária e do próprio modo de representar e ler o homem na modernidade. Na novela de Flaubert, o leitor encontrará diversas marcas de estilo do autor, traços que o consagraram e inspiraram diversos escritores contemporâneos e posteriores. Acompanhará ainda a história de Felicité, empregada doméstica: seus amores, seus problemas familiares e questões de trabalho, representadas sob o olhar irônico e só aparentemente distanciado de um narrador que, antes de tudo, tem seu foco na tensão entre a grandeza ética e a humildade tamanha que caracteriza essa personagem.

O texto de Proust, por sua vez, é uma exploração da poesia de Baudelaire. Originalmente publicado em La nouvelle Revue Française em 1921, o texto é uma boa aproximação à obra do poeta, assim como ao estilo de Proust. Nele, o autor de Em busca do tempo perdido analisa a posição de Baudelaire na tradição da poesia francesa, em especial em comparação com Victor Hugo, a relação entre As flores do mal e a história e, finalmente, esboça leituras de poemas.

Na coleção, podem ser encontrados ainda Catulo, um clássico da literatura latina, e dois autores fundamentais da língua inglesa, Edgar Allan Poe e Oscar Wilde. Vale apontar a cuidadosa seleção de contos de Oscar Wilde, que contém textos como o belo “El príncipe feliz”, fábula escrita em tom leve e ingênuo, mas que em suas entrelinhas traz uma forte alegoria do modo como se estrutura o poder econômico na sociedade.

Trata-se, em geral, de uma coleção de clássicos que, como tais, sempre voltam em novas leituras para novos leitores. Clássicos que ainda, como nos ensina Ítalo Calvino, servem para entender quem somos e onde chegamos. Para adiante, novos títulos serão acrescentados ao catálogo; aos leitores vale esperar.

15073360_637805546400167_3984689836768500399_n

Malha Fina Cartonera Entrevista Lúcia Rosa do Coletivo Dulcineia Catadora

por: Cristiane Gomes

A Malha Fina Cartonera conversa com a artista plástica Lúcia Rosa, criadora do Coletivo Dulcineia Catadora, espaço de convergência entre literatura, artes visuais e trabalho social. Lúcia é a precursora do fazer cartonero no Brasil. O Dulcineia Catadora este ano completa 10 anos de atividade no centro de São Paulo, em conjunto com a Cooperglicério, com 114 títulos publicados e um sólido trabalho de divulgação do saber cartonero através de oficinas.

EunafeiraMaputo

Cristiane Gomes: Lúcia, quem são as integrantes do coletivo Dulcineia Catadora?

Lúcia Rosa: Andreia Emboava, Maria Aparecida Dias da Costa, Emineia Santos, Agatha Emboava e Lúcia Rosa.

CG: Você é artista plástica e nas editoras cartoneras o trabalho visual e editorial são correlatos. Na cartonera os livros são encadernados artesanalmente, as capas são pintadas individualmente, o que abre uma série de possibilidades visuais e os torna objetos únicos e irreproduzíveis. Além dessa característica inerente ao trabalho cartoneiro, o Dulcineia tem um vasto catálogo de livros de artista. Me conta um pouco sobre a sua relação com as artes plásticas. Qual é a sua formação, qual era a sua atuação antes da criação do Dulcineia e como você chegou nesse formato de livro cartonero?

LR: Fiz minha primeira graduação em Letras. Sim, fiz Letras na FFLCH, USP. Trabalho como tradutora e desde 1986 atuo paralelamente nas Artes Plásticas. Em 2006, fui convidada a participar de uma mostra com trinta artistas. Eu trabalhava com sucata de ferro, mas no entorno do local onde aconteceria a mostra havia muitos catadores e resolvi trabalhar com papelão. Fiz trabalhos escultóricos com papelão comprado de catadores. Por sugestão de um conhecido procurei o Eloísa Cartonera, um coletivo de Buenos Aires, para saber melhor o que eles faziam. Meses depois o Eloísa foi convidado a participar da 27ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo. A produção me chamou para um trabalho colaborativo. Trabalhei com o grupo na montagem da instalação, na formação do grupo de filhos de catadores e na oficina-instalação montada na Bienal. Em janeiro de 2007 fizemos um trabalho no Sesc Pompeia com Javier Barilaro, um dos integrantes do Eloísa, e em fevereiro lançamos nosso primeiro livro, Sarau da Cooperifa.

CG: Em 2015, a Malha Fina Cartonera recebeu uma oficina do Wellington de Melo, da Mariposa Cartonera, que nos qualificou para iniciarmos os trabalhos do selo. O Wellington participou de uma oficina com você em Garanhuns, Pernambuco, que o preparou para criar a Mariposa. A atuação em rede é uma marca do trabalho cartonero, o conhecimento não é retido e sim compartilhado. O saber é divulgado e fomenta a criação de outras cartoneras. Além da Mariposa, que outras iniciativas surgiram das oficinas ministradas pelo coletivo Dulcineia Catadora?

LR: Em Garanhuns, 2012, iniciamos Severina Cartonera, com um grupo de catadoras da ASNOV, uma cooperativa de reciclagem local, e o poeta Helder. O aparecimento da Mariposa foi uma consequência desse trabalho em Garanhuns.

Sereia Ca(n)tadora, iniciada por Ademir Demarchi, poeta de Santos. Conheci Ademir em 2007 e, um ano depois, lançamos Do Sereno que Enche o Ganges. Ademir se entusiasmou com os livros e iniciou a Sereia Ca(n)tadora; formou um catálogo com muitos autores latino-americanos, entre eles o peruano Oscar Limache. Acho que o diferencial do Sereia foi a parceria com o Centro Camará, de São Vicente.

A partir de uma oficina dada no Sesc Vila Mariana, uma das participantes, Solange, formou um núcleo em Serra Negra, o Catapoesia. Fizeram um lindo trabalho com um núcleo indígena em Minas Gerais. Até 2015 estava funcionando; não tive notícias deles este ano.

Rubra Cartoneira Editorial (Londrina, Paraná), iniciada por Beatriz Bajo, em parceria com Marcelo Ariel, escritor residente em Cubatão que lançou seu primeiro livro com Dulcineia em 2007: Me Enterrem com a Minha AR 15. Beatriz já conhecia nosso trabalho, depois traduziu um livro nosso de Mario Papasquiaro, Respiração do Labirinto, e em 2012 iniciou o Rubra Cartoneira. O grupo acabou usando caixas de leite para fazer as capas e procurou, pelo que sei, artistas para pintar as capas.

De oficinas realizadas por mim em Porto Alegre em 2011, Cristiane Cubas, arte educadora, realizou a oficina de confecção de livros com capas de papelão em vários lugares e lançou a coletânea Boca de Rua em apoio ao projeto Mães Coruja do Boca de Rua, em parceria com a ONG Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação).

Em 2012 fui convidada a ir a Moçambique para trabalhar com um grupo de jovens universitários que desejavam abrir uma cartonera e para trocar experiências com um grupo recém formado, o Kutsemba Cartão. Ajudei Kutsemba a iniciar suas atividades ao longo de 2010 e 2011, passando orientações através de e-mails trocados com Luís Madureira e Saylín Álvarez Oquendo, atualmente residentes nos EUA. Kutsemba reuniu jovens para a feitura dos livros. Tinha livros com lendas africanas e alguns de autores contemporâneos, inclusive de um rapper conhecido em Maputo. Com os jovens universitários o trabalho foi intenso, dividido com uma integrante de Meninas Cartoneras (Espanha). Foram muitas as oficinas e conversas durante 13 dias. Eles iniciaram o Livaningo Cartão D’Arte, liderado por José dos Remédios.

Além desses grupos que nasceram direto de contato com o Dulcineia, acreditamos muito em parcerias, e foi o que eu propus a Idalia quando ela visitou a Cooperglicério, para conhecer nosso trabalho em novembro de 2014. Recebemos as pessoas que querem conhecer nosso trabalho lá na cooperativa e estamos sempre abertos a trocas e a compartilhar conhecimentos.

CG: Você acha que o retorno à produção manufaturada, artesanal e o engajamento social e ecológico podem salvar a literatura em meio à crise do mercado editorial?

LR: Salvar é um termo muito forte, que prefiro não usar. A produção independente tem o papel de abrir a possibilidade de veiculação de autores que não têm inserção no mercado. As cartoneras têm a liberdade de publicar autores dedicados ao experimentalismo, estão livres para publicar autores iniciantes no exercício do fazer literário justamente porque a existência e ação no meio cultural dos grupos cartoneros está vinculada a outros objetivos, que não o lucro e as vendas.

CG: Apesar do artesanal ser uma tendência, ainda percebo uma certa desvalorização da produção que opera através de uma lógica não capitalista, o que reflete na dificuldade de se estabelecer em um mercado mais amplo e se manter apenas através da venda dos livros. O pseudoartesanal ainda vende mais do que o artesanal de fato. Você acha que isso vai mudar? Quem é o leitor do Dulcineia Catadora hoje?

LR: Acho que a produção independente terá sempre um pequeno nicho de leitores; manterá esse público restrito. Não acredito que esse quadro mude. É difícil sobreviver da venda dos livros. As cartoneras têm um papel de resistência, firmam-se como alternativa perseguindo caminhos à margem do mercado editorial. É difícil definir com clareza o leitor de Dulcineia, mas penso que na maioria são escritores novos e jovens interessados em literatura não veiculada no mercado convencional. É um público curioso, que valoriza essa proposta diferente, alternativa, vibrante, que não é enlatada, não tem design massificado; traz a marca das pinceladas, carrega no papelão essa abordagem crítica à sociedade de consumo, fala do descarte e, no caso de Dulcineia, adiciona um tom político, une autores, artistas e catadores na luta contra a invisibilidade, o preconceito, a discriminação.

DSC02879red fx

Fonte: Dulcineia Catadora.

DSCN6785_670

Fonte: Dulcineia Catadora.

CG: Nós sabemos que a quantidade de papelão reciclado para a produção de livros cartoneros é insignificante e que a importância social dos projetos cartoneros se dá realmente ao tirar o trabalho do catador da invisibilidade e proporcionar a fruição entre essas duas frentes, a dos profissionais que atuam no trabalho árduo da coleta e reciclagem e a dos que produzem arte. No coletivo Dulcineia essa fruição aparece muito claramente nas publicações do coletivo. Em 2010 foi publicado o livro de fotos Fabio Catador, do artista plástico Fabio Morais; em 2012 Catador, com relatos de catadores, produzido pelas integrantes do coletivo; em 2013, Por-sobre, a partir de fotografias da Cooper Glicério de Maria Aparecida Dias, com intervenções gráficas da artista visual Maíra Dietrich; em 2014, Só o que se pode levar, a partir de desenhos impressos em serigrafia feitos pelos integrantes do coletivo em colaboração com a artista visual Kátia Fiera; e em 2015, Passagem, um livro de desenhos da catadora Andreia Emboava, integrante do coletivo. Lúcia, fale um pouco sobre os artistas que surgiram através do trabalho nas cooperativas e sobre os próximos projetos em conjunto com os catadores.

LR: As parcerias com artistas foram decorrentes de nossa ligação com a Galeria Vermelho. A ideia surgiu em 2010, um ano depois que participamos da primeira feira de publicações independentes promovida no Brasil, a Tijuana. Fabio Morais havia feito uma chamada a artistas pedindo o envio de livros para a 30ª Bienal, para compor uma instalação de autoria dele e de Marilá Dardot. Convidei o Fabio a fazer um livro com o coletivo. E depois se seguiram os outros. Desde o início percebi que as catadoras respondiam com entusiasmo às propostas dos artistas. A possibilidade do grupo trabalhar junto com o artista na produção de conteúdo é um passo além. Na colaboração com escritores a participação do grupo se limita à pintura das capas e à costura do livro. Além disso, a partir dessas parcerias com artistas as integrantes do grupo começaram a propor seus próprios livros. Nossa intenção é fazermos livros criados por nós, coletivamente, além das parcerias com artistas. É uma forma de exercitarmos o fazer artístico. Nisso está a beleza da rede cartonera: cada grupo desenvolve características próprias, persegue formas originais de usar o papelão, escolhe sua linha de publicações, busca sua forma de trabalhar e imprime sua identidade. Não abro mão do trabalho com catadores e segmentos desprivilegiados da sociedade.

Este slideshow necessita de JavaScript.

CG: Em 2017 a Dulcineia Catadora completa 10 anos. Qual a retrospectiva que você faz dessa uma década de trabalho e quais são os planos da Dulcineia para 2017?

LR: Semana passada estava reorganizando parte de nosso material e me assusto com o volume de trabalho que realizamos: além dos 114 títulos, oficinas por todo Brasil e no exterior, intervenções no espaço público, participações em mostras de arte e em feiras de publicação independente. Realmente, foi uma longa trajetória que reuniu muita gente. Entre os autores publicados conseguimos identificar alguns que tiveram sua primeira publicação com Dulcineia e que hoje começam a se firmar como escritores. É o caso de Sheyla Smaniotto, que recebeu o Prêmio Sesc de Literatura em 2015, e do Marcelo Ariel, que hoje tem vários livros publicados. Por outro lado é muito prazeroso contar com escritores colaboradores, como Andrea Del Fuego, Joca Reiners Terron, Marcelino Freire, Glauco Mattoso, João Anzanello Carrascoza, Alice Ruiz e acompanhar suas carreiras, vibrando com eles a cada nova obra que lançam e comemorando seu reconhecimento público e premiações.

Sobre os planos, vez ou outra me fazem essa pergunta, e emendam com outra sobre nossas “aspirações”: Vocês não querem crescer? Têm medo de crescer? Tenho a clareza de que prefiro me pulverizar a crescer. A ideia de crescimento, pra mim, não se liga ao quantitativo, e sim ao crescimento pessoal e, nesse sentido, tenho essa gana de acompanhar o crescimento pessoal das mulheres que integram o grupo. Crescimento como pessoas, o refinamento do olhar, o sentimento de confiança ao se expressarem, ao trabalharem o sensível, ao lidarem com outros segmentos sociais. Não tenho aspirações, apenas sigo o trabalho dia a dia. Nosso trabalho diz mais respeito a processos. Dos encontros nascem ideias de trabalhos novos, novos projetos colaborativos.

IMAG_26_CARGO_670

Fonte: Dulcineia Catadora.

dulcineia1

Fonte: Dulcineia Catadora.

dulci-1024x768

Fonte: Dulcineia Catadora.

Retrospectiva: as Atividades da Malha Fina no Segundo Semestre de 2016

É com muita alegria que a equipe Malha Fina encerra os trabalhos cartoneros do segundo semestre deste ano, tão intenso e cheio de conquistas. Já na expectativa do novo ano ser ainda mais produtivo para nossa cartonera, nada melhor do que iniciar as férias fazendo uma retrospectiva sobre como foi o segundo semestre de 2016 (e tem muita coisa!).

Inciamos o semestre reestruturando o blog em algumas seções: Caindo na Malha Fina (resenhas), Modus Operandi (tradução), Na Batida Cartonera (reportagens)/Informes Cartoneros e Transversal (entrevistas). Você pode ler mais sobre essa reestruturação no Editorial. Além disso, elaboramos um catálogo das nossas obras lançadas até então, você pode conferi-lo clicando aqui (e se tiver interesse em comprar algum livro, basta entrar em contato conosco)!

Quanto às publicações, a Malha Fina Cartonera deu seu pontapé inicial com o lançamento dos livros A escrita riscada, de Eduardo Lalo e 2 ensaios, de Antonio José Ponte. Ambos livros de autores inéditos no Brasil. O primeiro, livro híbrido entre ensaio e ficção, foi publicado pela primeira vez em 2005 pela editora portorriquenha Tal Cual e teve tradução feita por Chayenne Orru Mubarack, que também assina o posfácio “Caribe rizomático”. À pedido da Malha Fina, a tradutora também resenhou o livro, o texto encontra-se disponível em “Eduardo Lalo e sua escrita riscada”.

O livro do cubano Ponte, por sua vez, teve tradução de Clarisse Lyra e posfácio do próprio autor, feito especialmente para o livro. O livro conta com os ensaios “História de uma bofetada” e “O casaco de ar”: ambos giram em torno do patrono das letras cubanas, José Martí, e debatem a leitura, a memória e a relação entre política e literatura. A tradutora também resenhou o livro, em texto intitulado “José Martí sem pedestal: dois ensaios de Antonio José Ponte. Para colaborar com a recepção do autor no Brasil, Pacelli Dias Alves de Sousa traduziu a entrevista “Como Bartleby, o corvo de Melville… que foi concedida por Ponte a Jorge Enrique Lage e com versão original publicada pela Hypermedia Magazine. Na primeira entrevista de Ponte traduzida ao português, o autor apresenta um panorama de sua obra, fala de sua obsessão com a cidade de Havana, da difícil relação entre o Estado e a cultura em Cuba, comenta sobre autores favoritos e sua sobre mais recente obra.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em setembro, entre os dias 22 e 23 de setembro, a Malha Fina montou sua banquinha de vendas em dois eventos na Universidade de São Paulo: um em parceria com a revista Cisma de tradução e crítica e outro parte do II Encontro do Centro Interdepartamental de Línguas da FFLCH. Infelizmente, não houve grande quantidade de vendas, ainda que houvesse bastante interesse pelo projeto. Da experiência e reflexão sobre a produção e a venda de livros cartoneros no Brasil surgiu o texto “As dificuldades do fazer cartonero, escrito por Mariana Costa Mendes.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em outubro, tivemos nossa primeira experiência com oficinas em escolas públicas de São Paulo, iniciando um novo campo de atuação para a Malha Fina. No dia 07, fomos à Escola Municipal General Euclydes de Oliveira Figueiredo realizar oficinas com jovens de 11 a 15 anos, como parte de um projeto cartonero que está sendo implementado na escola pela professora Silvia Martins. Sobre a experiência, a monitora Larissa Pavoni Rodrigues e a colaboradora Alana Oliveira escreveram o texto “Malha Fina na escola: um relato de experiências”.

Além de ensinar todas as etapas da produção de um livro artesanal, desde o corte do papelão até a pintura da capa e título, também foram discutidos com os alunos temas como as origens das palavras cartonera e Malha Fina, o que elas significam e como a técnica cartonera colabora com a preservação do meio ambiente, através da reciclagem.

Os livros confeccionados foram escritos pelos próprios alunos, trabalhados em conjunto com as professoras de português. Entre eles, uma coletânea intitulada Contos de Terror e uma de poesia; também, um livro do escritor Paulo Nunes, com o título Simão está dormindo. A diagramação ficou por conta de Mariana Costa Mendes. (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2016)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Participamos da V Jornada da Pós Graduação em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana confeccionando o cartaz do evento e organizando uma de suas mesas, que aconteceu no dia 26 de outubro e contou com a participação de Julián Fuks e de Paloma Vidal, sendo mediada por Pacelli Dias. Aryanna Oliveira, colaboradora da Malha Fina, escreveu uma detalhada reportagem sobre o evento, intitulada “A literatura brasileira em obras: memória de uma conversa com Julián Fuks e Paloma Vidal”.

A escritora, tradutora e professora Paloma Vidal contou um pouco sobre “Em Obras”, projeto transdisciplinar no qual atua como curadora e conta com a companhia de mais seis mulheres ligadas à área das artes e literatura em palestras performáticas, são elas: Cynthia Edul (dramaturga), Diana Klinger (crítica literária), Elisa Pessoa (artista visual), Ilana Feldman (crítica de cinema), Marília Garcia (poeta), Veronica Stigger (escritora). Nele, as artistas brasileiras e argentinas refletem sobre o romance e a literatura contemporânea na América Latina. A exposição de Paloma Vidal foi transcrita pela Idalia Morejón Arnaiz e Larissa Pavoni Rodrigues, e está disponível em “Em obras: saídas da ficção .

Julián Fuks, recentemente vencedor do prêmio Jabuti por seu romance A resistência (Companhia das Letras, 2015) e autor de Os olhos dos pobres pelo selo Malha Fina Cartonera, apresentou um texto intitulado “Da crise do realismo ao realismo crítico”, no qual refletia sobre a formação do romance, enfocando o caso latino-americano. Segundo reportagem de Aryanna Oliveira:

Relacionando sua tese de doutoramento com outros rumos e, em especial, o modo de escrever do acadêmico e escritor alemão W. G. Sebald, Fuks falou “passando por temas como a historicidade da literatura; a agonia do romance (e suas resiliências entre as atividades humanas essenciais); o silêncio e a impossibilidade da escrita; a emulação do mundo pela ficção; a utilização do trauma como suporte de criação; e, o romance como testemunho do mundo, entre outros assuntos. (OLIVEIRA, 2016)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Neste semestre, buscamos fazer com que o blog fosse também um espaço em que os leitores pudessem acompanhar eventos importantes para o mundo cartonero e das editoras independentes. Nesse sentido, é importante acessar “As cartoneras no Oceanos e “Feira Miolo(s) 2016: um modelo de independência editorial, ambos de autoria de Chayenne Mubarack e “Da Festa do livro da USP ao Salão Carioca do Livro , de Tatiana Faria. Os últimos textos refletem desde diferentes perspectivas sobre o mercado editorial independente, especialmente sobre as feiras literárias, tendo como base a Feira Miolo, a Festa do livro da USP e a LER — Salão Carioca do Livro. Já o primeiro texto, por sua vez, aborda a colocação de Atlântico, de Ronaldo Correia de Brito, publicado pela Mariposa Cartonera, como semifinalista do prêmio Oceanos.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Entre os dias 22 e 27 de novembro, a Malha Fina participou de dois grandes eventos: a 18ª Festa do livro da USP, a convite do GMARX, e a LER — Salão Carioca do Livro, em parceria com a Mariposa Cartonera, selo editorial recifense fundado por Wellington de Mello. Essas duas iniciativas foram extremamente importantes para os calendários livreiro e literário de São Paulo e Rio de Janeiro e intensificaram a venda de livros.

O Salão Carioca do Livro foi a primeira viagem em equipe da Malha Fina, que foi representada pela Idalia Morejón, Tatiana Faria, Larissa Pavoni e Mariana Costa Mendes. O evento cultural festejou a literatura com uma diversificada programação. Durante os quatro dias, a programação do evento contou com a presença de vários escritores, escritoras e artistas reconhecidos. Em matéria de inovação, a participação da Malha Fina Cartonera e da Mariposa Cartonera consagrou o espaço das editoras independentes e artesanais em um stand construído em conjunto, no qual vendemos tanto nossos livros quanto os da Mariposa, vindos de Recife.

Além de vender os livros cartoneros, tivemos a oportunidade de estar ainda mais em contato com o público em duas oficinas oferecidas no espaço Oficina Literária no sábado e no domingo, em que explicamos o nosso projeto para cerca de 50 pessoas, entre crianças e adultos, e demonstramos o fazer do livro cartonero.

Você pode conferir a reportagem sobre esse evento em: “Cariocas por quatro dias: a Malha Fina na LER – Salão Carioca do Livro”, escrito por Larissa Pavoni Rodrigues e Mariana Costa Mendes, que também editou um vídeo sobre os quatro dias de evento e você pode conferi-lo abaixo!

Sobre o mundo cartonero, foi muito frutífera a visita de Darío Ares, do Grupo de Acción Cultural que organiza a Rita Cartonera, em Rosário, na Argentina. Darío esteve na Universidade de São Paulo no dia 29 de novembro para conversar com a equipe da Malha Fina Cartonera. O multiartista falou sobre a concepção e organização da Rita Cartonera, projeto atuante desde 2015 e que já tem dois livros publicados: La casa de cartón, de Martín Adán e Evita traicionera, de Washington Cucurto. Mais sobre a visita de Darío e seu projeto pode ser visto em “Rita, a selvagem, em terras brasileiras”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Ainda nesse sentido, vale ainda a leitura de “Entre o design visível e o invisível: entrevista com Iara Camargo, entrevista feita por Larissa Pavoni Rodrigues e Jeison Oliveira a Iara Pierro de Camargo, designer da Malha Fina Cartonera. Iara é formada em Design e recentemente defendeu a tese de doutorado “O livro de literatura: entre o design visível e o invisível” na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Até o momento, assinou o projeto gráfico das edições de Poesia Língua Franca, A escrita riscada e 2 ensaios. Na entrevista fala sobre sua carreira, projetos e sua participação na Malha Fina Cartonera:

“As pessoas muitas vezes não têm sensibilidade quanto à forma e à preocupação estética do livro. Algumas pessoas se preocupam em ter, em colecionar e possuem um carinho pelo livro, mas para algumas pessoas isso passa despercebido e elas não percebem a importância do projeto gráfico, de como é difícil de produzir. Acho que vocês da Malha Fina estão sensibilizando as pessoas em relação a isso, e mostrando que é possível fazer coisas diferentes com materiais que não são nobres, como o papelão. Além de trazerem a ideia do objeto único, porque cada livro é único, tem uma capa única.” (CAMARGO, 2016)

fotorcreated

Um pouco sobre a tese de doutorado “O livro de literatura: entre o design visível e o invisível” defendida por Iara Pierro de Camargo na FAU/USP.

O trabalho estético com o livro também foi tema de “Malha Fina Cartonera nos jardins da academia, com a participação de Andrés Hernández. O curador, professor e doutorando pelo Instituto de Artes da UNICAMP organizou a exposição “Dos Jardins das academias” na sala de exposições do Laboratório experimental de Artes (Aquário), da Universidade Federal de Uberlândia. A exposição contou com capas feitas para livros cartoneros por diversos artistas, alunos de uma disciplina ministrada pelo curador.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Além disso, a capa desse semestre da revista Landa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi elaborada por dois de nossos monitores: Pacelli Dias e Cristiane Gomes. Você pode conferir a capa abaixo e clicando aqui você ter acesso a todo conteúdo da revista.

Capa da revista Landa (UFSC) elaborada por Pacelli Dias e Cristiane Gomes.

Capa da revista Landa (UFSC) elaborada por Pacelli Dias e Cristiane Gomes.

Em novembro, a equipe da Malha Fina ministrou mais duas oficinas: uma como parte da IV Jornada Pedagógica da Diretoria Regional de Educação do Butantã e outra na Escola Municipal Jocymara de Falchi Jorge. A primeira foi realizada no dia 9 de novembro na EMEF Maria Alice Borges Ghion e dela participaram professores da rede pública de ensino. Com o tema “Currículo Emancipatório em Movimento: Reencantamento do Mundo e da Educação”, foi um dia de debates não só sobre a natureza das cartoneras e os processos de confecção dos livros, mas também sobre as suas possibilidades de disseminar o projeto cartonero nas escolas, contribuindo para a produção literária e artística dos alunos.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A última oficina do semestre aconteceu no dia 21 de novembro, na Escola Municipal Jocymara de Falchi Jorge, localizada na Vila Carmela (Guarulhos/SP). Participaram alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I. No dia, foi produzido o título Poesia na Escola, conjunto de poemas sobre a infância escritos pelos alunos sob coordenação das  professoras Cícera e Sueli. A diagramação do miolo foi feita pela monitora Cristiane Gomes. Você pode ver mais detalhes sobre as duas oficinas em “Malha Fina nas escolas: um semestre em retrospectiva, uma reportagem feita por Larissa Pavoni e Chayenne Mubarack.

As experiências nas escolas fazem parte de nossa proposta de propagar a literatura em espaços nos quais ela circula de maneira reduzida, e nos sentimos satisfeitos por termos dado esse grande passo e contribuído para a formação dos muitos estudantes e professores da rede pública que tivemos contato.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Para o ano que vem as novidades já são várias: estamos muito animados pois agora temos uma sala própria, localizada no prédio de Letras de nossa faculdade, onde poderemos guardar nossos livros e materiais, além de organizar reuniões e oficinas.

Agradecemos muito cada um que cruzou nosso caminho e nos proporcionou tão rica troca de experiência ao longo do ano de 2016, seja em eventos, oficinas, feiras, saraus, cada colaborador e colaboradora do nosso blog, e seguimos contando com vocês ano que vem! Até lá!

Equipe Malha Fina Cartonera

Cariocas por quatro dias: a Malha Fina na LER – Salão Carioca do Livro

por: Larissa Pavoni Rodrigues e Mariana Costa Mendes

Entre os dias 24 e 27 de novembro, a Malha Fina Cartonera desembarcou no Rio de Janeiro para participar da LER – Salão Carioca do Livro, no Píer Mauá, espaço conhecido por estar próximo ao Boulevard Olímpico, mas que se transformou em um grande Boulevard Literário!

O evento cultural festejou a literatura com uma diversificada programação, das 10h às 21h. Durante os quatro dias, a programação do evento contou com a presença de vários escritores, escritoras e artistas reconhecidos que você poderá conferir no vídeo abaixo.

Foi a primeira edição do evento que provou sua magnitude, com a participação de 80 mil pessoas aproximadamente – número esperado pela organização –, em que os amantes da literatura se encontraram com escritores, diversas editoras e livrarias, e atrações para todas as idades: mesas redondas, lançamentos de livros, bate-papos e oficinas, exposições interativas, apresentações teatrais, encontros com blogueiros, saraus abertos, entre outras atividades com entrada gratuita para o público.

Tal celebração do livro marcou a nova “era” da zona portuária, tão importante para a gêneses da cultura carioca, local onde mercadorias, pessoas, ideias chegavam e passavam, misturando-se ao ritmo da cidade. Agora, renovado e mais acessível aos cariocas, o espaço demonstrou ser ponto de fusão entre a tradição e a inovação na LER – Salão Carioca do Livro, em que escritores novos e consagrados, livros recém-publicados ou não foram promovidos abertamente.

Em matéria de inovação, a participação da Malha Fina Cartonera e da Mariposa Cartonera consagrou o espaço das editoras independentes e artesanais, em um stand construído em conjunto, no qual vendemos tanto nossos livros quanto os da Mariposa, vindos de Recife.

IMG_20161124_105316484.jpg

Livros da Mariposa Cartonera. Foto: Mariana Costa Mendes.

Além de vender os livros cartoneros, tivemos a oportunidade de estar ainda mais em contato com o público em duas oficinas, oferecidas no espaço Oficina Literária no sábado e no domingo, em que explicamos o nosso projeto para cerca de 50 pessoas, entre crianças e adultos, e demonstramos o fazer do livro cartonero. Esperamos, com isso, que nosso objetivo seja alcançado e aquilo que nos motiva – os vários professores, professoras, pais, crianças, estudantes, escritores, inspirem-se no projeto cartonero e sigam (re)produzindo uma literatura mais acessível, artesanal, presente.

img_20161126_185248133

Oficina Cartonera durante a LER. Foto: Mariana Costa Mendes.

Ficamos impressionadas com a recepção do público em geral. Muitas pessoas passaram por nós e puderam nos ouvir e conhecer o universo cartonero, além de comprarem nossos livros, e levarem consigo nosso contato e o catálogo de nossas publicações. Para nós, foi muito gratificante e renovador cada momento que passamos ali aprendendo, ensinando e trocando estas experiências com os leitores. Enfim, uma viagem para ficar na memória!

Agradecemos ao Wellington de Melo, da Mariposa Cartonera, pelo convite e à toda equipe de organização da LER – Salão Carioca do Livro, principalmente ao Julio Silveira, curador da LER.

Editoras e livrarias que participaram como expositores:

Livraria Travessa, Livraria Berinjela, Grupo Autêntica, Mórula Editorial, Livraria Leonardo da Vinci, Imã Editorial, Blooks Livraria, Malha Fina & Mariposa Cartoneras, Pipoca Press, Kitabu Livraria Negra, Edições de Janeiro, Panda Books, Folha Seca, Mauad, Booklook, Editora Cidade Nova, LSM distribuidora de livros, A Bolha Editora, Carambaia, Paulus Livraria, Sebo Baratos da Ribeiro, Roça Nova Editora, Livraria Eldorado, Copabooks, Associação Estadual de Livraria do Rio de Janeiro, Beleléu, Babilônia Cultura Editorial, Livraria República, Paulinas Editora, FEB. (Fonte: 1001 Roteirinhos)

Malha Fina nas escolas: um semestre em retrospectiva

por: Chayenne Mubarack e Larissa Pavoni Rodrigues.

Neste segundo semestre, a Malha Fina realizou três importantes oficinas em escolas públicas. Já em clima de retrospectiva, esse post será um relato dessas experiências tão enriquecedoras para a equipe de trabalho, professoras, alunas e alunos.

A primeira oficina aconteceu no dia 7 de outubro, na Escola Municipal General Euclydes de Oliveira Figueiredo, onde demonstramos o fazer cartonero para cinco turmas de crianças e jovens entre 11 a 15 anos, do 5º ao 9º ano. Os livros confeccionados foram escritos pelos próprios alunos, trabalhados em conjunto com a professora de artes Silvia Martins, e as professoras de português. Entre eles, a coletânea Contos de Terror e uma de poesia; além do livro Simão está dormindo, do escritor Paulo Nunes. A monitora Mariana Costa Mendes diagramou o miolo dos livros.

 Após nossa visita, recebemos com alegria a notícia de que o projeto cartonero continuou a todo vapor na escola. Os alunos adaptaram materiais geralmente usados no dia-a-dia e seguiram produzindo seus livros, de maneira muito criativa e artística. Esperamos continuar recebendo notícias inspiradoras da Escola Euclydes Figueiredo e desejamos sucesso aos mais jovens alunos cartoneros!

5

Foto: Silvia Martins.

A segunda oficina ocorreu no dia 9 de novembro na EMEF Maria Alice B. Ghion, em meio à IV Jornada Pedagógica da Diretoria Regional de Educação do Butantã. Com o tema “Currículo Emancipatório em Movimento: Reencantamento do Mundo e da Educação”, foi um dia em que educadoras e educadores atuantes em escolas públicas municipais da região do Butantã se encontraram em diversas escolas para participar de debates, palestras, vivências e relatos de práticas sobre diversos temas relacionados à educação.

61

A Malha Fina coordenou duas oficinas, de manhã e à tarde, para cerca de 40 educadoras e educadores de diferentes escolas que se mostraram muito animados e dispostos a aprender as etapas de produção do livro. Cada um deles cortou, costurou, pintou e levou consigo seu próprio exemplar de livro cartonero.

78

Participar da Jornada Pedagógica foi importante tanto para nós quanto para esses educadores, pois além de entrarem em contato com o selo editorial Malha Fina Cartonera, um projeto universitário que visa a difusão da literatura e formação acadêmica e profissional dos alunos, puderam trocar experiências e práticas que poderão contribuir para disseminar o projeto cartonero em suas escolas, enriquecendo a produção literária e artística dos alunos da rede pública.

A terceira oficina do semestre aconteceu no dia 21 de novembro, na Escola Municipal Joycimara de Falchi Jorge, na Vila Carmela, Guarulhos, desta vez com os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental I.

Antes da chegada da Malha Fina, os alunos produziram, sob a orientação das professoras Cícera e Sueli, o caderno Poesia na Escola, tendo a infância como tema central. A monitora Cristiane Gomes diagramou o miolo do livro com os poemas dos alunos.

9

Parte do livro “Poesia na Escola”, com poesias escritas pelos alunos dos 3º anos A e B do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Joycimara de Falchi Jorge.

Chegando à escola, os monitores foram recebidos com um entusiasmo cativante das crianças, que nos abordavam ainda na entrada perguntando se éramos nós quem iríamos ensiná-los a fazerem livros. Realizamos duas oficinas, uma com o 3º ano A e outra com o B. Em ambas, os alunos foram divididas em dois grupos. Com as explicações e auxílios dos monitores, e sob a atenta supervisão deles, os alunos aprenderam um pouco mais sobre o livro em si, a parte material dele, enquanto desmistificaram a áurea inacessível que permeia este objeto.

Iniciamos o encontro mostrando-lhes nossa matéria prima: a caixa de papelão. Para os alunos parecia inacreditável que aquelas caixas virariam livros. Então, distribuímos papelões cortados previamente e realizamos as demais etapas com cada um: os furos, a costura do miolo, a dobra, o vinco, e a finalização. Também começamos um bate-papo sobre ideias de capas, quais temas ou ilustrações seriam interessantes para que conteúdo e visual estabelecessem um diálogo.

Depois da visita da Malha Fina, as duas professoras prosseguiram as atividades e pintaram as capas com os alunos. Os resultados podem ser conferidos abaixo. Nós, da Malha Fina Cartonera, agradecemos a acolhida amistosa da escola e esperamos poder repetir este momento construtivo mais vezes! Agradecemos também às professoras pelas fotografias.

12

A experiência de realizar oficinas em escolas públicas abriu um novo campo de atuação para a Malha Fina. Dentro da nossa proposta de propagar a literatura em espaços onde ela circula de maneira reduzida, este foi um grande passo! Nos sentimos imensamente felizes por termos contribuído na formação destes estudantes e professores. Que este seja apenas o primeiro passo na construção de uma educação que pense o próprio livro, instigando cada vez mais os alunos a entrarem no mundo editorial. Estamos felizes por fazer parte desta história dando nossa contribuição!