Novidades 2018 Poesia Orientalista Cubana (II)

Um pouco mais sobre universo da poesia cubana orientalista, que será apresentada em coletânea da Malha Fina Cartonera, no próximo semestre.

por: Aryanna Oliveira

Como já apresentado na última semana, a antologia de poesia Caribe Oriental, a ser lançada no primeiro semestre do próximo ano, apresentará ao leitor brasileiro um meticuloso apanhado de poetas cubanos que fizeram da corrente orientalista uma ferramenta artística. Mas o que seria o orientalismo? O que caracteriza a corrente orientalista? O termo “orientalismo” é usado para designar o estudo intelectual e científico das culturas não eurocêntricas, ou seja, de tudo aquilo que está “fora” do eixo ocidental da disseminação da cultura, mas ficou realmente conhecido, especialmente dentro dos estudos de literatura, com a publicação do livro Orientalismo, de Edward Said, que elabora o modo como é feita a construção da ideia de mundo islâmico, o mundo para além das metrópoles ocidentais.

Na poesia, a corrente se manifesta, a princípio, pela utilização de elementos e descrições que remetem às culturas orientais, mas posteriormente sua significação ampliou-se a um vasto campo de estudos, representando o Extremo Oriente, a Índia, a Ásia Central, o Médio Oriente e até mesmo parte da África, atuando assim como um modo de legitimar a cultura das civilizações não europeias.

Segundo Idalia Morejón Arnaiz, diretora da Malha Fina Cartonera, a ideia da antologia surgiu da percepção de que o orientalismo ainda hoje é muito presente em Cuba. “Os principais autores da literatura cubana, em algum momento, transitaram pelo universo do orientalismo. E, ainda que haja esse movimento de interesse, que isso já venha sendo estudado, especificamente na poesia modernista hispano-americana, não existe ainda uma coletânea de poesia cubana orientalista. Percebemos então, a necessidade de mostrar a presença desse imaginário que ainda é muito forte”, explicou.

Três grandes nomes da literatura cubana do século XX, relacionados ao chamado “boom latino-americano”, e de extrema importância para a corrente orientalista, em Cuba, são José Lezama Lima, Virgilio Piñera e Severo Sarduy.

Para grande parte da crítica, talvez, apenas Alejo Carpentier esteja em pé de igualdade à grandeza e importância de José Lezama Lima para a literatura insular cubana. Também jornalista, fundou as revistas Verbum e Orígenes. Esta última é tida como a publicação literária mais importante de Cuba, o que, para Idalia Morejón Arnaiz, se justifica até hoje, visto que “o modo como os poetas de Orígenes trabalharam esse tema, influencia o modo como a corrente ainda é trabalhada”.

Lezama, antes de escritor, foi um grande leitor e se dedicou aos estudos com afinco, o que se reflete em sua produção. Sua obra abarca a multiplicidade de seus conhecimentos: fora um grande conhecedor dos poetas clássicos, das correntes herméticas e da literatura espanhola, especialmente de Góngora. Entretanto, talvez por esse motivo, a mesma crítica o reconhece como um escritor de difícil classificação.

A obra de Lezama, marcada pelo neobarroco, representa uma ruptura marcante com o realismo, estruturando um novo sistema de linguagem poética, sendo por isso de extrema importância para a literatura hispano-americana, de modo geral. Julio Cortázar foi um dos primeiros a reconhecer o talento e a singularidade do escritor cubano. Lezama é o grande avatar da poesia orientalista cubana.

Debajo de la mesa
se ven como tres puertas
de pequeños hornos,
donde se ven piedras y varas ardiendo,
por donde asoma el enano
que masca semillas para el sueño.

(Trecho de “Sobre un grabado de alquimia chino”, publicado originalmente em Fragmentos a su imán, de 1978)

Debaixo da mesa
veem-se três portas
de pequenos fornos,
onde veem-se pedras e paus ardendo,
por onde espreita o anão
que masca sementes para o sono.

(Tradução de Cristiane Gomes)

José.Lezama.Lima.

José Lezama Lima. Foto: Divulgação Internet.

Virgilio Piñera também é figura bastante conhecida no mundo das letras. Seus trabalhos já foram traduzidos para o inglês, italiano, alemão, russo, húngaro e polaco, entre outras línguas, o que prova a expansão e o interesse provocado pela sua literatura, marcada pela arte de jogar com o absurdo, além da primazia em trazer para suas linhas meditações, memórias e o tédio como temáticas. Doutor em Filosofia e Letras, foi também colaborador da Revista Orígenes, de grande importância no contexto literário insular, uma vez que era o ambiente de circulação de grandes nomes como Lezama e Vitier, com quem esteve envolvido em algumas polêmicas.

Sua obra lírica explorou o inconsciente e extrapolou os limites formais e, diante da corrente orientalista, fez ressoar a obra kafkiana, em que se valoriza o esquecimento, ainda que lúcido, do indivíduo, isolado, enfatizando seu objetivo do mundo. Nesse sentido, expande sua caracterização do absurdo ao retratar as grandes cidades, por exemplo. Diante de um cenário, um emaranhado por túneis e pessoas, faz refletir o clima sufocante da cidade. Em “Treno para a morte do príncipe Fuminaro Konoye”, apresentado na coletânea da Malha Fina, ele apresenta em sua poesia a caracterização teatral de um tribunal americano que julga um príncipe japonês, tendo como pano de fundo, risos e estilhaços que remetem ao absurdo do real, Hiroshima e Nagasaki.

Tan, ten, tin, ton, tun, tran, tren, trin, tron,trun.
Para que la representación comience es preciso
que el Príncipe Fuminaro Konoye
se convierta en:
un fósforo,
un caballo,
un telón de boca,
un sable,
un veneno,
un antepasado.

Príncipe: ¿está de acuerdo? ¿Conviene usted?
El príncipe lleva su mano izquierda a su talón derecho,
pone su mano derecha en su última vértebra cervical,
los ojos en las plantas de sus pies,
dirige su lengua al tope de sus cabellos ralos,
hunde el pulgar en su antebrazo marmóreo, coloca el cuello en su ombligo,
y dice sí silbantemente.

(Trecho de “Treno por la muerte del príncipe fuminaro konoye”, publicado originalmente em La vida entera, de 1968)

Tan, ten, tin, ton, tun, tran, tren, trin, tron, trun
Para que a representação comece é preciso
que o príncipe Fuminaro Konoye
se converta em:
um fósforo,
um cavalo,
um pano de boca,
um sabre,
um veneno,
um antepassado.

Príncipe: está de acordo? o senhor concorda?
O príncipe leva a sua mão esquerda ao seu calcanhar direito,
põe sua mão direita em sua última vértebra cervical,
os olhos nas plantas de seus pés,
dirige sua língua ao topo de seus cabelos ralos,
funde o polegar em seu antebraço marmóreo, coloca o pescoço em seu umbigo,
e diz sim sibilantemente.
(Tradução Pacelli Dias Alves de Sousa)

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Virgilio Piñera. Crédito: Divulgação Internet.

O cubano Severo Sarduy mudou-se para a França em 1960, e por lá permaneceu até sua morte, sem retornar à ilha. Entretanto, sua origem e suas muitas viagens à Índia conferem à sua poética um tom tropical e orientalista.

Poeta, jornalista e crítico de arte, sua produção literária e seu estilo se aproxima ao de José Lezama Lima e de Guillermo Cabrera Infante, talvez pela relação de ambos com o grupo Tel Quel, de Paris (escola em que se debatia teoria e crítica literária). É considerado um dos nomes do neobarroco cubano, movimento tão importante para a projeção da literatura insular dos anos 1960 e 1970, em particular, diante do “boom”.

No hay nada permanente ni veraz,
ni ajeno al deterioro y la vejez.
Se disuelve lo que es en lo que no es,
y en el iris todo lo que verás.

El sujeto no es uno; sino un haz
de fragmentos dispersos que a su vez
-sin origen, textura o nitidez-
se dividen en otros. No es falaz

(Trecho de “Palabras del Buda Sarnath”, publicado originalmente em Obra Completa, de 1999)

Não há nada permanente nem verídico,
nem distante da deterioração e da velhice.
Se dissolve o que é no que não é,
e na íris tudo o que verá.

O sujeito não é um; mas um feixe
de fragmentos dispersos que por sua vez
– sem origem, textura ou nitidez –
se dividem em outros. Não é vago

(Tradução de Aryanna Oliveira)

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Severo Sarduy. Crédito: Divulgação Internet.

Além de José Lezama Lima, Virgilio Piñera, Severo Sarduy, e os escritores apresentados na última semana, a antologia Caribe Oriental, prevista para o primeiro semestre de 2018, trará nomes como José Martí, Julián del Casal, Lorenzo García Vega, José Kozer, Juan Carlos Flores, Omar Pérez e Pedro Marqués de Armas.

Os poemas da coletânea foram selecionados por Idalia Morejón Arnaiz e Pacelli Dias Alves de Sousa. Segundo ela, o poema “Mao”, de Carlos Aguilera, publicado em Diáspora(s), pela Malha Fina, neste ano, será republicado, devido a importância do poema para a corrente orientalista da literatura cubana.

Aguardem novidades quanto a este e os demais lançamentos da Malha Fina Cartonera!

José Lezama Lima Virgilio Piñera e Severo Sarduy

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Novidades 2018: Poesia Orientalista Cubana (I)

A cartonera, trará, em um dos seus próximos lançamentos, doses do orientalismo cubano.

por: Aryanna Oliveira

Seguindo o ensejo de trazer ao público leitor brasileiro um mais profundo conhecimento acerca da literatura hispano-americana, especialmente a cubana, uma das próximas publicações da Malha Fina Cartonera será Caribe Oriental. Antologia de poesia cubana orientalista, em edição bilíngue, com tradução da equipe da cartonera e convidados.

A coletânea apresenta poetas que estão para além dos grandes nomes cubanos já conhecidos, especialmente no meio das letras acadêmicas, como José Lezama Lima, Severo Sarduy, e Virgílio Piñera, que teve recentemente sua obra Contos Frios, republicada no Brasil pela editora Iluminuras, e é tido como por parte da crítica como um autor marcado pela originalidade e pela antecipação do absurdo beckettiano no teatro.

Nas páginas de Caribe Oriental, o leitor terá contato com parte do universo de José Martí, Julián del Casal, Regino Pedroso, Nicolás Guillén, Lorenzo García Vega, José Kozer, Rodolfo Häsler, Raúl Hernández Novás, Reina María Rodríguez, Octavio Armand, Juan Carlos Flores, Omar Pérez e Pedro Marqués de Armas, entre outros.

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Do poeta Regino Pedroso conheceremos “El héroe de Tsing Tao”, com tradução de Ramiro Caggiano Blanco e Yedda Blanco. Pedroso é conhecido por revolucionar sua poesia, inicialmente modernista, e usá-la como arma de denúncia social, contra os ataques imperialistas e em defesa do proletariado, por exemplo, sem com isso isentá-la de grande beleza estética.

– Hijo mío, todo afán es batalla,
y a veces triunfo ha sido volar en la derrota.
No sólo invicto en púrpura se da lustre a los pueblos,
ni sólo en muerte heroica se gana inmortal mármol.
¡Las hazañas más grandes no las canta la historia;
y hay más de un hecho épico de que el mundo no sabe!

(Trecho de “El héroe de Tsing Tao”, originalmente publicado em El ciruelo de Yuan Pei Fu, Poemas Chinos, 1955)

– Meu filho, todo anseio é batalha,
e às vezes triunfo tem sido voar na derrota.
Não só invicto em púrpura se dá lustre aos povos,
nem só em morte heroica se ganha imortal mármore.
As maiores façanhas não as canta a história;
e há mais de um feito épico que o mundo não sabe!

(Tradução de Ramiro Caggiano Blanco e Yedda Blanco, na Antologia de Poesia Orientalista Cubana)

Já de Nicolás Guillén, que iniciou sua atividade literária no pós-modernismo, a coletânea apresenta “El Jarrón”, com tradução de Caroline Costa Pereira. A produção de Guillén é marcada pelo vanguardismo cubano, seguindo uma linha de cunho realista e culminando na chamada “poesia negra”, movimento que surgiu nas Antilhas por volta de 1930. Tido como mestiço, sua obra apresenta-se marcada pelas tradições afro-cubanas. Tido como uma das figuras mais importantes dentro da literatura da ilha, sua poesia é marcada então como uma manifestação contra as opressões sofridas pelos negros dentro do contexto sociopolítico de Cuba.

Luego fue Sun Yat-sen en la múltiple foto,
con su sueño romántico y roto.
Y por fin noche y día,
la gran marcha tenaz y sombría,
y por fin lo que yo no sabía:
toda la sangre que cabía
en un jarrón de porcelana.

(Trecho de “El Jarrón”, publicado originalmente em De La paloma de vuelo popular, 1958)

Logo foi o Sun Yat-sen na foto multiplicada
com seu sonho romântico e despedaçado.
E por fim noite e dia,
a grande marcha tenaz e sombria,
e por fim o que eu não sabia:
todo o sangue que cabia
em um jarro de porcelana.

(Tradução de Caroline Costa Pereira)

Já do cubano Rodolfo Häsler, que hoje reside em Barcelona, a coletânea apresenta “Desierto de Farán”, em tradução de Aryanna Oliveira. Ainda que distante geograficamente de sua ilha natal, sua produção apresenta características de seus contemporâneos cubanos, marcados pelo orientalismo e pela vanguarda, justamente porque, segundo ele próprio, sua poética é construída com base em suas leituras de outros poetas, como um voraz leitor que se nutre da poesia do outro.

la delicadeza,
la debilidad,
lector compulsivo
de lírica oriental,
un amorío
con patas de cabra,
un tacto ralo,
una aproximación
que la mano conduce
hasta el lugar.

(Trecho de “Desierto de Farán”, publicado em De Cabeça de Ébano, 2013)

a delicadeza,
a debilidade,
leitor compulsivo
de lírica oriental,
um amorico
com pés de cabra,
um toque ralo,
uma aproximação
que a mão conduz
para o lugar.

(Tradução de Aryanna Oliveira)

Reina María Rodríguez, tida como uma das vozes mais importantes da literatura cubana contemporânea, é apresentada através de “Cositas chinas”, com tradução de Chayenne Orru Mubarack. Sua obra é marcada pela intensidade com que dá vazão aos rompantes da memória, pelo tom confessional e pelos rasgos poéticos que refletem sua vida, seus contratempos e dissonâncias. Sua voz poética traça com grande qualidade ética e estética o panorama do contexto cubano atual.

Voy diariamente al Barrio Chino para buscar esas
cositas que parezcan verdad, que huelan a curación
(aunque la curación no sea más que una metáfora
venida de tan lejos como el resentimiento). Siento
que los chinos venden también su misericordia que
es pequeña.

(Trecho de “Cositas chinas”, publicado originalmente em Bosque Negro, 2005)

Vou diariamente ao Bairro Chinês para buscar essas
coisinhas que pareçam verdade, que cheirem a cura
(ainda que a cura não seja mais que uma metáfora
vinda de tão longe como o ressentimento). Sinto
que os chineses vendem também sua misericórdia que
é pequena.

(Tradução de Chayenne Orru Mubarack)

Último poeta apresentado hoje, Raúl Hernández Novás, é lembrado postumamente através de seu “Cruzan entre dos ejércitos que esperan”, com tradução de Bruno Alexandre, que também traduz “Japonerie”, de José Kozer. Novás é um dos autores mais sobressalente da literatura cubana no pós-revolução, tido para alguns críticos como autor do “barroco contemporâneo”, na literatura da ilha. Era um homem solitário, atormentado pela época em que vivia, e que fazia de sua literatura “purista” um modo de dar autenticidade à melancolia de sua alma poética.

Los antiguos guerreros han callado
y están hace horas, siglos, frente a frente,
sin que salga de ellos el ardiente
alarido ni el dardo envenenado.

Ya el Cielo enmudeció, ya ha terminado
la lección poderosa y elocuente:
pliega sus alas insondablemente
la grave voz del Bienaventurado.

(Trecho de “Cruzan entre dos ejércitos que esperan”, publicado em De Poesía, 2007)

Os antigos guerreiros se calaram
e estão há horas, séculos, frente a frente
sem que saia deles o ardente
alarido nem o dardo envenenado.

Enfim o Céu emudeceu, é findada
a lição poderosa e eloquente:
dobra as asas insondavelmente
da grave voz do Bem-aventurado.

(Tradução de Bruno Alexandre)

Esses são alguns dos poetas apresentados na antologia Caribe Oriental, uma das próximas publicações da Malha Fina Cartonera. Na próxima semana apresentaremos outros autores da coletânea de poesia orientalista, em especial José Lezama Lima, Virgílio Piñera e Severo Sarduy.

Caribe Oriental (I)

Regino Pedroso, Nicolás Guillén, Rodolfo Häsler, Reina María Rodríguez e Raúl Hernández Novás.

Rosarinos, paulistas, cartoneros e orientalistas

por Idalia Morejón Arnaiz

Finalmente, a Malha Fina Cartonera concretiza seu desejo de produzir as capas de um livro em colaboração com um artista que, além de dançar, dirigir filmes, ser ator, praticar parkour, fazer boxe, desenvolver uma marca de roupa urbana, também borda, pinta, desenha, recorta papelão, faz fotos, vídeos, escuta música, lê contos de Robert Walser, prepara canelones, fala sem parar, vai até o Parque da Água Branca para olhar os cavalos, volta e continua trabalhando.

Darío Ares chegou da cidade de Rosário, Argentina, num domingo ao meio-dia, e logo começamos a trabalhar. Ele vinha com várias maquetes de capas já prontas, com tecidos de seda doados pela tradicional loja de cortinas e tapeçaria De Levie. Ele vinha também com um repertório de imagens para selecionar e fazer os bordados, assim como com a proposta de uma paleta de cores. E, ainda, nos presenteou com a colaboração da artista portenha Marga Steinwasser, quem enviou sua própria proposta para decorar as capas, adicionando apliques de papel dourado e preto, costurados com linha de seda, ou colados.

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Capa de Marga Steinwasser.

Durante dez dias, desenhamos e bordamos nas amostras de seda, além de confeccionamos as primeiras 30 capas da antologia de poesia cubana orientalista, Caribe Oriental, que lançaremos no primeiro semestre de 2018.

Terminamos por pensar uma parte dessa produção como uma “edição de autor”. Trata-se das capas em que o artista argentino trabalha com papel de seda, tinta da china, ou improvisa colagens com os materiais e as imagens que foram aparecendo nesses dias. Assim, Goku e Chun-Li, as personagens da série infantil Dragon Ball-Z, surgem do mural do escritório da USP, no qual foram desenhados há mais de um ano por uma funcionária, para terminar como figurinhas pop numa capa cartonera. Quanto às capas com papel de seda, aprendemos a pesquisar as propriedades do material, suas possibilidades, antes de decidir o que pode ser feito. Também aprendemos a trabalhar com a técnica serigráfica, que utilizamos para fazer os primeiros testes de impressão do título Caribe Oriental, e de alguns desenhos realizados pelo próprio Darío.

Abaixo você pode conferir como foi a experiência dos monitores e colaboradores da Malha Fina Cartonera ao se deparar com novas técnicas para a confecção de livros cartoneros.

“A oficina se dividiu entre o bordado e a serigrafia, duas técnicas novas para a Malha Fina. Ambas cultivando a precisão e a suavidade de traços, distinto ao que produzimos até agora. Foi um momento de aprimoramento enriquecedor.”

Pacelli Dias

“A oficina significou um aprofundamento nos conhecimentos das artes gráficas em geral. A chance de acompanhar um artista como Darío Ares, envolvido com tantos projetos interessantes na Argentina, nos ensinando e nos inspirando foi muito marcante. A meu ver, a diferença entre o olhar de um artista e de um “mero observador” é que, para o artista, qualquer risco pode ser arte, e de fato o é. Darío desenvolveu capas baseadas em diferentes técnicas artísticas, como o bordado, a pintura, a colagem e a serigrafia, sempre mobilizando algo do cotidiano. No meu caso, aproveitei a oportunidade para adentrar as possibilidades que a serigrafia pode oferecer e estou muito animada para ver os resultados desse projeto.”

Chayenne Mubarack

“Tela e tinta, tecido e linha, o desenho é como a visão de um rosto à porta ali à espera de quem atende. Darío mostrou seu encanto com a serigrafia, traquejos, trabalhos, experimentos e possibilidades. A tinta passa pela fresta que encontra. E o papel aceita. Já o bordado tem seu próprio tempo, um silogismo bem trançado sobre o traço de suporte que a linha vai seguindo. Nunca havia feito um bordado, o primeiro saiu com as indicações de Idalia e Larissa, ótimas! Meu bordado, assim, assim… Mas ficou o gosto pela coisa. Esperando pra ver essas peças estampando poesia!”

César Vicente

“Fazer parte da Malha Fina Cartonera é sempre estar em contato com novidades surpreendentes. No último encontro que tivemos com Darío Ares, dia 2 de novembro, durante sua curta (e super produtiva) passagem por São Paulo, fizemos uma oficina de serigrafia, bordado, colagem e outros temas artísticos que surgem tão natural e facilmente na criatividade de um multiartista como ele o é. A tarde passou rápido, tive contato pela primeira vez com a serigrafia e posso dizer que saí dali ainda mais confiante e satisfeita com nosso novo projeto de capas e livros cartoneros, uma guinada ao novo e à novas cores e modos de fazer. Com certeza nos trará muitos frutos pela frente.”

Larissa Pavoni

“A quinta-feira de feriado foi um dia em que aconteceu um reencontro muito especial. Foi muito bom poder descobrir uma nova técnica para aplicar na confecção de um livro cartonero. Desta vez, por intermédio de Darío Ares, comecemos a arte de bordar. Bordados estes que serão utilizados nas capas da antologia “Caribe Oriental”. Ao aprender a bordar, percebi que erros podem acontecer, mas podem ser facilmente corrigidos e não necessariamente se tornarão uma eterna cicatriz.
Além do bordado, também aprendemos a arte da serigrafia. Desta vez, a Chay foi a grande insegnante (professora) nesta técnica que também utilizaremos na coleção “Caribe Oriental”. Por fim, foi uma tarde também de muita comilança e vários dedinhos de prosa num portunhol (espanhol dos outros, português meu) que estava com saudades de ouvir.
E é isso! Muitas novidades estão por vir!”

Mariana Costa Mendes

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Malha Fina Cartonera com Darío Ares.

No prazo de um ano, este é nosso segundo encontro de trabalho com Darío, e já temos data marcada para o terceiro. Entretanto, vamos deixar algo de mistério para o dia do lançamento.

Você, por enquanto, pode ir selecionando sua capa.

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