Quando só se pensa em comer (poesia)

por: Ellen Maria Vasconcellos

Traduzir poesia está na lista das coisas que mais gosto de fazer na vida, além de comer. Traduzir poetas hispano-americanos dos dias de hoje – & nos dias de hoje – é ainda mais prazeroso. Tem a ver com a afetividade que nos conecta, os fracassos e as resistências que nos aproximam, certa cultura global que nos alimenta, e aquilo que não conseguimos, de maneira nenhuma, deglutir.

Para a antologia Poesia Língua Franca, lançada no último 29 de abril em São Paulo, pela Malha Fina Cartonera, e que conta com textos de dez poetas hispano-americanos, traduzi três deles: Jorge Luis Arcos, cubano; Carlos Ríos e Irina Garbatzky, ambos argentinos. Já digo de antemão que não foi fácil essa tarefa. Principalmente porque sabendo que a antologia não seria bilíngue, minhas traduções teriam que se sustentar por elas mesmas, isto é, a versão em português dos poemas teria que manter a mesma forma e sentido dos textos na língua original, além de compartir o sensível e uma experiência estética que eu tive destes textos, mesmo sabendo que nesse processo de mutação e sobrevivência, (recuperando os termos de Derrida sobre a tarefa do tradutor), algo se perde, algo se mantém, e algo sempre se transforma.

Diante de um dos poemas de Jorge Luis Arcos me deparei com uma primeira questão: em “Lendo Sor Juana”, o autor inventou um jogo ambíguo entre a palavra medula (como se escrevia em espanhol até o século XIX, e Quevedo assim utiliza no soneto “Amor constante más allá de la muerte”) e a palavra médula (que é como se escreve medula, em espanhol, na atualidade) – o que para a língua portuguesa, não faz sentido, já que nunca tivemos “médula”, com acento. Diante da impossibilidade da tradução/adaptação, neste caso, ao menos no meu ver, optei por deixar as duas formas da palavra, tal como no poema em espanhol, e sem nota de tradutor. Se eu tirasse o acento de todas as palavras “medulas”, eu iria banir a poesia da forma do poema; se eu trocasse a palavra por outra, para manter o jogo da acentuação, iria perder todo o peso da palavra no poema. Ou seja, às vezes a melhor solução é a não-tradução. Os outros dois poemas de Arcos que traduzi não foram menos difíceis. Nos três poemas, o poeta promove uma revisão do cânone para a construção de sua poética (pós-vanguardista) e subjetividade, e para expressar o que realmente quer, busca as palavras corretas, mesmo que necessite utilizar várias palavras entre vírgulas ou parênteses até encontrar-se. No poema “Memória (ou cânone) do perdedor”, por exemplo, ele marca sua subjetividade na interrogação dos autores que já leu (Cervantes, Borges, Shakespeare, Lorenzo García Vega), e na dissonância que estas leituras podem encontrar com os problemas da vida real (morte, velhice, fracassos, esquecimentos). Traduzir toda essa beleza melancólica foi trazê-las também para mim, criando, ainda, novas relações com ela.

Dos três poetas, é o Carlos Rios a quem conheço com mais profundidade e conservo uma grande admiração. Não só por sua escritura em geral, mas também porque ele é o prefaciador do meu livro Chacharitas & gambuzinos, publicado pela Editora Patuá; então, além de ser fã, tenho muito carinho pelo autor. Seu único e longo poema da antologia Poesia Língua Franca, “Poema para cobrir a cara” tem uma estrutura ritmada e que se repete a cada estrofe de três versos: todo primeiro verso inicia com “esperando sentado os benefícios” ou “sentado esperando os benefícios”, alternadamente; e todo terceiro verso termina com “dentro de um instante” ou “por um instante”. A crítica irônica de Rios foi um tanto divertida e sutil de traduzir, já que a realidade de nossos hermanos argentinos não anda tão diferente da nossa. Nas trinta e uma estrofes que constituem o poema, o poeta lista aquilo que prometeram e seguem prometendo os governantes, os jornais, a TV, a indústria cultural, o mercado editorial, a conservadora real academia, os iogurtes probióticos. Esse jogo de forças, concretas e simbólicas, que o autor observa no presente, e que ultrapassa o estado nacional, diante da tradução, ultrapassa também os limites da língua nacional para chegar aos leitores brasileiros, que, assim como o poeta, também estão esperando os benefícios que tanto anelamos.

Quanto aos poemas de Irina Garbatzky selecionados para a antologia, sua principal característica é que eles falam. Assim, no intransitivo. Os poemas não param de falar, e cada vez que o leitor os ouvir, vai entender ainda mais do que eles estão falando. É uma linguagem oral, parecida com a da contação de histórias, que cria muitas imagens para o leitor, sem precisar começar pelo “era uma vez”. A poeta, ao tratar de temas como maternidade, relações amorosas, heranças, aprendizagens, e não aprendizagens, me impulsionava a ser aluna, não só dela, mas também da mãe dela, de suas relações fraternais e amorosas, de sua escritura, etc. Corri o risco diversas vezes de ficar lendo e relendo, sem querer traduzir, só criando continuações a aqueles momentos que a poeta me contou em seus versos. Meu interesse como tradutora, portanto, era imprimir este mesmo interesse para o leitor. Por isso, meu principal desafio com os poemas de Irina foi justamente encontrar em minha língua materna essa linguagem do cotidiano que seus textos demandavam, sem perder também certo formalismo construído, como por exemplo, na diferença entre menina e garota, em “O que não me ensinou minha mãe”, ou nos abundantes pronomes possessivos do poema “Ossinhos”.

A qualidade estética e a afetividade que a poesia contemporânea (dentro e fora de si) elabora e transmite são o que espero também ter logrado nestas traduções que satisfizeram (e ainda não pararam de satisfazer) minha fome de literatura. Basta agora descobrir se os leitores concordam comigo e dividimos por igual a sobremesa.

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Partir da experiência do outro: algumas palavras com Irina Garbatzky

por: Chayenne Orru Mubarack

A professora e poeta argentina Irina Garbatzky esteve na Universidade de São Paulo em 4 de maio de 2016 e ministrou a palestra-oficina “Esto no es uma performance”, baseada no seu livro Los ochenta recienvivos. Poesía y performance en el Río de la Plata (Rosario: Beatriz Viterbo, 2013). Depois da palestra, ela aceitou gentilmente dar uma entrevista à equipe da Malha Fina Cartonera, na qual falou de suas pesquisas sobre poesia e performance. Também nos contou um pouco sobre sua poesia, cuja pequena amostra foi publicada na Antologia Poesia Língua Franca.

Chayenne Orru Mubarack (COM): Como você começou seus estudos sobre performance? Como você entrou em contato com esse corpus do underground dos anos oitenta no Rio da Prata? Aqui no Brasil, por exemplo, é um campo pouco conhecido.

Irina Garbatzky (IG): Quando eu era estudante, me interessava muito o Néstor Perlongher e a poesia neobarroca em geral. Bom, o que eu conhecia, sobretudo o neobarroco argentino. Como eu queria trabalhar com o Perlongher em princípio, ainda quando eu era estudante participei como organizadora de um congresso em Rosario que foi importante para mim. Lá foram ler Roberto Echavarren e Tamara Kamenszain. Além disso, fora os estudos na faculdade, eu estava em um grupo de poesia no qual pensávamos em intervenções mais ou menos teatrais ou nessas mesmas perguntas: como muda a poesia em relação ao meio, como pensar uma leitura de poesia que soa diferente. E fazíamos leituras de poesia em teatros, passávamos vídeos, com música ao vivo. O interesse por esse tema não veio da faculdade, do ensino na universidade, mas sim da própria poesia, do encontro com outras pessoas que escreviam poesia. Quando eu escutei Echavarren ou me inteirei destes encontros na Estación Alógena, em Buenos Aires, comecei a pensar em montar um projeto de pesquisa ao redor dessa questão, a oralidade e a escritura, e a questão da voz. Esse foi o começo. Depois veio a decisão de trabalhar com a época pós ditatorial, com os anos 80, 90. Não trabalhar com o mais atual e contemporâneo, e sim com esse contexto em que o corpo aparecia ligado ao testemunho como possibilidade de transformação desse corpo, corpos meio deformados, meio desumanizados, que estavam pensando em perguntas em relação a esse contexto.

COM: Que poetas vocês liam?

IG: Bom, nesse momento liamos muito o que estava sendo publicado, ou seja, Washington Cucurto, La máquina de hacer paraguayitos, os estandartes de Anahí Mallol, Osvaldo Lamborghini, também Perlongher. Um pouco do que estava sendo escrito nesse momento. Fabián Casas, tudo o que era a poesia argentina dos 90.

COM: Há algum ponto de conexão entre o que você estuda e o que escreve? Ou seja, colocar a voz em cena, ou o tema da performance.

IG: Sim, por exemplo, em “Huesitos” em algum momento digo algo de Marosa di Giorgio. Mas, em geral, não tanto. Escrevo algumas coisas minhas e trato para que o acadêmico não esteja. Mas me parece que também elegemos o tema de pesquisa por motivos muito pessoais e muito profundos, assim como a poesia. Na verdade está tudo muito unido. Mas não, em geral, quando escrevo poesia não há um processo controlado para mim. Escrevo pouco e quando aparece é algo que tem mais a ver com uma experiência que estou elaborando e com coisas muito pessoais que pode ser que não tenha nada a ver com nada, na realidade.

COM: Como você descreveria sua poesia?

IG: Não sei, porque eu, na verdade, sinto que escrevo muito pouquinho. É muito difícil pensar em uma obra, pensar em mim como poeta me custa muito. Digamos que venho trabalhando muito a questão do familiar, a questão das mães, a questão das figuras das mães como figuras bastante escuras. Como as mães em geral são mães devoradoras, não habilitam muito. Essa é uma das minhas obsessões. A dificuldade para crescer, a dificuldade que pode ter um ser humano para crescer e os sonhos. Essa é minha outra obsessão. Como os sonhos interferem o tempo todo. Na poesia interferem muito os sonhos, como a experiência de um pesadelo, a experiência de um sonho te desestabiliza, ou você pode seguir seu dia atrás disso. Uma leitura que me marcou muito é a poesia da Tamara Kamenszain, em várias coisas. Depois, as fugas, o escape para outros lugares, sou um pouco obcecada com isso, por me esquivar sempre ao outro lado.

COM: Ou seja, para você, a poesia é essa possibilidade de fuga, ou o que você escreve é a fuga.

IG: Não sei se é uma possibilidade de fuga, não sei se a poesia é uma possibilidade de fuga. Mas a fuga é uma espécie de obsessão, o tema.

COM: Agora uma pergunta que me pediram para fazer. Quais sugestões você poderia dar para os que querem começar a estudar performance a partir do nada?

IG: Para mim vale muito a pena. É muito difícil armar o corpus, é muito difícil o trabalho de arquivo, mas cada vez é mais fácil porque cada vez estamos mais acostumados a trabalhar com materiais diferentes. A melhor recomendação, do que aprendi, é fazer entrevistas. Fazer entrevistas com os autores, com gente do público, com gente que viveu nessas épocas e ter uma disposição para ouvir e escutar esses relatos.

COM: Começar desde a experiência do outro.

IG: Sim, porque não é um objeto que se dê por si mesmo, ou seja, nenhum objeto se dá por si mesmo, todos os objetos se constroem. Mas a performance, justamente, é um objeto tão distinto e tão imaterial que poder encontrar pessoas para entrevistar é super valioso. Ter muita disponibilidade para escutar e pensar, que é como um relato que vai se construindo.

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Fonte: Facebook.

As Cartoneras pelo Mundo

por: Mariana Costa Mendes

Como monitora bolsista da Malha Fina Cartonera, há algum tempo me foi designada a tarefa de (re)elaborar uma lista elencando todas as cartoneras existentes no mundo. Digo (re)elaborar, pois a(s) minha(s) lista(s) partem da lista anteriormente feita pela Profª Dra. Johana Kunin da Universidade Nacional de San Martin (Argentina). Além da lista de Kunin, também usei como base as páginas da Wikipédia em espanhol, português e inglês que tratam sobre as editoras cartoneras. Por fim, também utilizei a página da biblioteca da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos) que é referência mundial quanto ao acervo de livros cartoneros.

A ideia inicial era apenas atualizar a lista de Kunin, porém, em meio a este processo, percebi que algumas cartoneras aparentemente não existiam mais. Sendo assim, foram montadas três listas: uma contendo todas as cartoneras, outra só com as cartoneras ativas e uma última com as cartoneras (aparentemente) inativas. As listas estão organizadas em ordem alfabética por continente/país/estado e cidade e podem ser consultadas a seguir: Todas as Cartoneras, Cartoneras Ativas e Cartoneras Inativas.

A primeira cartonera a existir foi a Eloisa Cartonera, que surgiu na Argentina em meio à crise financeira e política de 2002. O fundador da editora, o poeta Washington Cucurto, encontrou uma possibilidade de saída da crise ao enxergar o potencial que há ao produzir livros com capa de papelão, uma forma simples e sustentável de aquecer a economia. A partir de então o movimento se espalhou pelo mundo, contando com editoras nos quatro continentes (exceto na Oceania), incluindo países distantes, como a Alemanha, a Suécia, a Finlândia e a China.

Conforme foi averiguado, cerca de 183 cartoneras já existiram no mundo todo (2 na África; 156 na América; 1 na Ásia e 24 na Europa), porém algumas delas não passaram de projetos de curta duração, como Lulio Cartonero, o primeiro projeto cartonero do México, ou a Princesa Cartonera, um projeto realizado com crianças na Espanha ou ainda a Me Muero Muerta Ediciones, um projeto cartonero realizado em uma prisão em Ezeiza (Argentina).

1 - Cartoneras por Continente (nº;%)

Destas 183 cartoneras, acredita-se que muitas não existem mais, pois não foram encontrados perfis em alguma rede social, ou, as que tiveram algum perfil, não o atualizam há muito tempo. O livro cartonero é comercializado em um nicho muito específico, portanto, a presença em redes sociais é fundamental para que uma editora cartonera sobreviva, pois este é um dos principais espaços para que o trabalho realizado seja conhecido por mais pessoas. Sendo assim, desta lista geral que continha 183 cartoneras, caímos para um número de cerca de 110 cartoneras ativas. Este número ainda é incerto, porque mesmo que não sejam encontrados vestígios online de alguma cartonera, pode ser que ela ainda esteja em atividade offline.

2 - Cartoneras Ativas por Continente (nº;%)

Notamos que 88% das cartoneras em atividade se encontram na América, 11% na Europa e 1% na África. Dividindo ainda mais o gráfico, vemos que 58% das cartoneras se encontram na América do Sul, 24% da América do Norte, 11% na Europa e 1% na África, como vemos abaixo:

3 - Cartoneras Ativas por Continente (2) (nº;%)

Na América do Norte e na Europa, os países nos quais existem mais cartoneras são o México (23 cartoneras) e a Espanha (10 cartoneras). Ambos são países hispânicos e, por conta de a primeira cartonera ter sido fundada na Argentina, o crescimento do movimento por países hispanoparlantes tem sido maior.

Já na América do Sul, os países que lideram o ranking de cartoneras são: Brasil (19 cartoneras), Chile (16 cartoneras), Peru (9 cartoneras), Argentina (6 cartoneras) e Equador (5 cartoneras). O movimento cartonero se difundiu pela América do Sul graças às oficinas que Washington Cucurto (Elosia Cartonera) realizou e tem realizando nos últimos anos. No Chile, o movimento tem crescido de tal maneira que neste ano será realizado o IV Encuentro Internacional de Editoriales Cartoneras, um evento organizado pela Biblioteca de Santiago e que conta com Olga Cartonera no comitê organizador.

Quanto ao movimento cartonero no Brasil, a primeira cartonera fundada em terras tupiniquins foi a Dulcineia Catadora em 2007 graças à parceria feita com a  Eloisa Cartonera durante a 27ª Bienal de São Paulo. Dulcineia foi fundada pela artista Lúcia Rosa e por Peterson Emboava, um jovem filho de catador. A partir daí, outras cartoneras foram fundadas por todo o Brasil, principalmente no Nordeste, como em 2014 com a fundação da Mariposa Cartonera em Recife/Pernambuco por Wellington de Melo. Aliás, o estado de Pernambuco é o que mais contém cartoneras ativas atualmente, como podemos ver no gráfico a seguir:

4 - Cartoneras Ativas no Brasil (nº;%)

Inclusive, nós, da Malha Fina Cartonera, já realizamos uma parceria com Mariposa Cartonera para a publicação dos livros de Calixto, Ferraz, Fuks e Pessanha. 22 poemas, de Fabiano Calixto foi feito também em parceria com a Yiyi Jambo (Assunção/Paraguai) – editora fundada por Douglas Diegues –, enquanto O pretexto para todos os meus vícios, de Heitor Ferraz Mello, Os olhos dos pobres, de Julián Fuks e Diálogos e Incorporações, de Juliano Garcia Pessanha foram feitos também em parceria com La Sofía Cartonera, editora estabelecida na Universidade de Córdoba (Argentina).

É possível identificar algumas modalidades entre as cartoneras, como os projetos cartoneros individuais, os coletivos cartoneros, as cooperativas cartoneras (como a Dulcineia Catadora, em São Paulo) e as cartoneras universitárias (como La Sofía Cartonera e nós, a Malha Fina). Mesmo com algumas diferenças, este novo modo de produção faz com que o livro seja visto de uma forma muito mais humana. Cada livro é único, pois cada capa é diferente uma da outra, e, sendo assim, os livros cartoneros são “mucho más que libros”, como é o slogan da Eloisa Cartonera.

Para o futuro, a perspectiva é que o movimento cartonero chegue a mais países. Um dos fatores que favorece esse crescimento são as parcerias entre as cartoneras, seja através de oficinas ou na produção de livros em co-edições. Essa difusão em outros países também pode vir a acontecer graças à divulgação das cartoneras em outras mídias, como é o caso do documentário italiano “Carretera Cartonera” que registrou o trabalho das cartoneras em cinco países da América Latina.

Logos de Cartoneras

Antologia “Poesia Língua Franca”: a poesia fora e dentro de seu lugar

por: Larissa Pavoni Rodrigues

Nós, da equipe Malha Fina Cartonera, tivemos a felicidade de, na sexta-feira 29 de abril, lançarmos o primeiro título do catálogo hispano-americano: Poesia Língua Franca. O evento, realizado no B_arco Centro Cultural, em São Paulo, foi organizado na forma de um sarau, onde pudemos ler os poemas dos autores da antologia, alguns lidos pelas(os) próprias(os) tradutoras(es).

Esta antologia seria publicada durante o II Encontro Internacional da Poesia Hispano-americana: a Poesia como Língua Franca, um evento que seria realizado na Universidade de São Paulo. No entanto, com o evento cancelado, a Malha Fina Cartonera resolveu lançar a antologia, mantendo a mesma data, como homenagem aos poetas da Argentina, de Cuba e da Venezuela que fizeram e continuam fazendo a história da poesia latino-americana: nuestro lugar, nuestra casa.

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Assim, cercados de amigos, de novos e antigos seguidores da editora, lançamos nosso quinto livro e, ao mesmo tempo, o primeiro, que fazemos sem coedição com outras cartoneras. A antologia reúne, em sua maioria, traduções de textos inéditos no Brasil de dez poetas hispano-americanos, e tem seu projeto gráfico concebido por Iara Pierro de Camargo.

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Anunciados e apresentados por Ellen Maria Vasconcellos e Caroline Costa Pereira, que fazem parte da Equipe Malha Fina, deu-se início ao sarau. Manuela Garanhani leu “Poética” de Jacqueline Goldberg, traduzido por Idalia Morejón Arnaiz e Tatiana Lima Faria. Depois, Idalia leu “Memória (ou cânone) do perdedor” de Jorge Luis Arcos, traduzido por Ellen Maria Vasconcellos. Ellen, em uma performance usando uma máscara, leu “Poemas para cobrir a cara” de Carlos Rios, traduzido por ela mesma. Pacelli Dias Alves de Sousa leu um poema de Néstor Díaz de Villegas traduzido por ele mesmo. Chayenne Mubarack leu “A questão do chocolate” de Edgardo Dobry, traduzido por ela mesma e deixou o ambiente ainda mais doce ao distribuir chocolates de diversos tipos. Caroline Costa Pereira leu “O que não me ensinou minha mãe”, da Irina Garbatzky e traduzido por Ellen Vasconcellos. Mariana Costa Mendes leu “O rio” de Sonia Scarabelli traduzido pela Idalia e pela Tatiana. Cristiane Gomes leu “O malho” da Diana Belessi, traduzido também pela Idalia e pela Tatiana. Larissa Pavoni, leu “civitatem” de Ana Porrúa, traduzido pela dupla Idalia e Tatiana. Por fim, Tatiana Lima Faria acompanhada de Victor Mendes, que cantou e tocou durante a performance, leram “Dias paulistas” do Silvio Mattoni, traduzido pela Larissa e pela Tatiana.

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Agradecemos à toda equipe do B_arco Centro Cultural pela ajuda, desde a disponibilidade do local até aos equipamentos de som e luz. Também nossos agradecimentos à Julia Izumino, que mais uma vez nos registrou com bonitas fotografias e à Ana Julia Travia que filmou esses momentos tão ricos para nós. Agradecemos também a todos que compareceram ao sarau e compraram nossos livros, produzidos com tanto carinho e atenção!

Enfim, um sarau com tudo o que há de belo e bom! Confira mais fotos em nosso perfil no Facebook! Aguardem os próximos capítulos da Malha Fina, e claro, os nossos próximos posts!