Resultado da Segunda Convocatória de Narrativa e Poesia do Selo Editorial Malha Fina Cartonera (USP-Unifesp 2017)

Informamos por meio desta nota o resultado da Segunda Convocatória de Narrativa e Poesia Selo Editorial Malha Fina Cartonera, realizada em parceria com a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da Unifesp e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Anotações para o livro do ventre, de Hildon Vital de Melo (USP) e Afetos e ficções, de Mayra Martins Guanaes (Unifesp) foram os originais selecionados pelo Comitê composto por Bruno Zeni, Paloma Vidal, Diana Klinger e Idalia Morejón Arnaiz. Os títulos ressoam a temática da vivência universitária através da hibridez dos gêneros, mesclando autoficção e narrativa, crônica e ficção.

Em breve, divulgaremos os detalhes acerca do evento que realizaremos para celebrar, junto com os autores, a segunda edição da nossa convocatória.

Equipe Malha Fina Cartonera

 

Literatura caribenha entre São Paulo e Córdoba

por: Chayenne Mubarack e Pacelli Dias

Durante os dias 5, 6 e 7 de abril, a Universidad Nacional de Córdoba realizou o III Congreso Internacional “El Caribe en sus literaturas y culturas”. Surgido através de um interesse crescente nas universidades argentinas pelas literaturas e artes do Caribe, o congresso, que já se estabeleceu como um espaço importante dos estudos da área na América Latina, reuniu diversos pesquisadores do mundo que viajaram à cidade norteña para apresentarem suas pesquisas sobre países do Caribe hispanófono, anglófono, francofono e holandês. O evento contou com uma extensa programação que incluía conferências, simpósios, mesas temáticas e sessões de exibição de filmes.

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Fonte: Plataforma 9.

Maria Fernanda Pampín, pós-doutoranda da Universidad de Buenos Aires e editora da Corregidor, organizou uma apresentação para que alguns dos pesquisadores presentes pudessem expor livros publicados recentemente que tangenciam o tema. Na noite de sexta-feira (6), realizou-se uma mesa para a apresentação de tais lançamentos. Na mesa, estavam presentes: Florencia Bonfliglio e Francisco Aiello, que apresentaram o livro Las islas afortunadas. Escrituras del Caribe anglófono y francófono; Alejo López, que tratou das publicações que a revista Katatay organizou sobre o tema; Roberto González Echevarría, que falou um pouco a respeito do processo de publicação de La ruta de Severo Sarduy, Relecturas del cuento hispanoamericano e Breve historia de la literatura latinoamericana colonial y moderna, o último escrito com a pesquisadora Rolena Adorno. Também esteve presente Ineke Phaf-Rheinberger, tratando da publicação Modern Slavery.

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Malha Fina Cartonera com Pacelli Dias pré-lançamento da antologia Caribe Oriental, durante o “III Congresso Internacional El Caribe en sus Literaturas y Culturas” realizado na Universidad Nacional de Córdoba (Argentina).

A Malha Fina Cartonera esteve presente para fazer o debut de seu mais recente livro, Caribe Oriental. A antologia, organizada por Idalia Morejón Arnaiz e Pacelli Dias Alves de Sousa, propõe um caminho de leitura da poesia cubana ainda pouco explorado pela crítica, o orientalismo como tema literário. Tendo em vista esse viés, bastante prolífico na produção da ilha, foram selecionados poemas escritos entre os séculos XIX e XX, acompanhados de uma apresentação escrita por Pacelli Dias, intitulada “Imagens de um mundo não tão distante.

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Uma das capas de Caribe Oriental.

Aproveitamos a ocasião para comentar os demais títulos à venda: Cubanologia, de Omar Pérez, 2 ensaios, de Antonio José Ponte e a antologia Diáspora(s). Na mesa, mencionamos os próximos lançamentos da Malha Fina, uma obra da poeta cubana Reina María Rodríguez, e duas coletâneas, uma de poesia haitiana e outra de poesia venezuelana.

Além da mesa, o evento teve muitos pontos de intersecção com o catálogo caribenho que estamos desenvolvendo. O escritor cubano Antonio José Ponte, que publicou o livro 2 ensaios pela Malha Fina Cartonera em 2016 (confira a resenha do livro clicando aqui), esteve presente e participou de uma mesa de diálogo sobre sua obra, mediada por Teresa Basile e com a participação da pesquisadora Nancy Calomarde. Somado a isso, coube também a Ponte a conferência de encerramento, nomeada “Virgilio dice que tiene miedo”, parte de um livro que está escrevendo sobre o escritor Virgilio Piñera.

No campo dos portorriquenhos, o evento contou com uma mesa temática que versava sobre a obra do escritor Eduardo Lalo, autor do cartonero A escrita riscada (acesse a resenha do livro clicando aqui). Na mesa, reuniram-se pesquisadoras que desenvolvem trabalhos sobre Lalo, com a finalidade de compartilhar um pouco de seus trabalhos com os presentes. O ensaísta também foi tema da conferência “Intervenciones sobre Intervenciones, de Eduardo Lalo”, ministrada pelo professor e atual editor da obra de Lalo, Cesar Salgado, da Universidade do Texas.

É muito gratificante frequentar esse tipo de evento, pois é mais um passo para a concretização de nosso ideal de dar maior visibilidade à literatura caribenha, não só no Brasil, como na América Latina. Avante!

“Ficções”, com todas as letras

por: Larissa Pavoni Rodrigues

Ficções é um dos livros em meio aos vários lançamentos da Malha Fina Cartonera no último ano. O autor, Bernardo Carvalho, formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e mestre em cinema na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), é escritor, tradutor e jornalista. Foi editor do suplemento de ensaios Folhetim e correspondente da Folha de S. Paulo em Paris e Nova Iorque.

Considerado um escritor de grande sucesso, seu livro Mongólia ganhou o Prêmio APCA da Associação Paulista dos Críticos de Arte (2003) e o Prêmio Jabuti de 2004, ambos na categoria romance. Também ganhou, em 2003, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira (Oceanos), pelo romance Nove Noites. Em 2014, recebeu novamente o Prêmio Jabuti, também na categoria romance pelo livro Reprodução. A obra Simpatia pelo Demônio integrou a lista dos 10 finalistas ao Prêmio Oceanos 2017.

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Bernardo Carvalho. Fonte: Folha UOL.

Ficções é composto por seis pequenos contos, sob os títulos: “Bernanos dançando no paraíso”, “Quatro movimentos progressivos de calor”, “Prognose”, “O encontro dos guerreiros”, “Amigos e inimigos (ou nova quadrilha)” e “O sonho de Meng Tian, construtor da muralha da China”. Numa espécie de jogo com o leitor, os textos de Bernardo são como uma espiral na qual a realidade e a ficção são apresentadas como algo simples. A exploração da escrita enquanto elemento de uma busca existencial e o caráter misterioso das narrativas dos pequenos contos apresentam uma outra face da realidade, desnaturalizando o real.

Em entrevista concedida em 2013 a Juan Pablo Villalobos para o blog da editora Companhia das Letras, o escritor afirma que, para ele, está claro que a literatura que se preocupa majoritariamente em retratar a realidade goza de maior prestígio, ao menos no que diz respeito ao grande público. Assim, a literatura assumidamente de ficção, que se forma a partir de construções imaginativas ou que não quer somente retratar a realidade, parece ser de valor inferior para parte do público. É como se, com a ficção, não fosse possível provocar reflexões para além da obra literária, como se só produzisse considerações dentro do universo ficcional.

Já na obra de Bernardo Carvalho, por mais que haja um aparente retrato da realidade, o que se tem é a construção da narrativa imaginativa, bem como a apresentação de realidades construídas no mecanismo ficcional desse livro de contos. São histórias que parecem querer reconstruir artisticamente uma outra realidade amparada na imaginação do leitor, marcadas pelos mais variados assuntos.

Assim o leitor vai sendo levado pela história do escritor francês Georges Bernanos na fazenda Cruz das Almas, em Minas Gerais, pelos quatro movimentos progressivos de calor, pelo sonho intranquilo de Franz K., pelo encontro dos guerreiros da pior das guerras, pela nova quadrilha de criminosos mortos na rebelião e pelo sonho do construtor da muralha da China.

Com Ficções, uma nova reflexão se constrói pela ficção, um novo pensamento se apresenta ao leitor. A percepção da realidade é construída por meio das lentes culturais do autor, revertidas em sua obra no sentido de exaltar as possibilidades de criação e o produto da imaginação. É por meio desses e outros artifícios que o autor consegue valorizar a literatura de ficção.

Para adentrar em Ficções completamente, entre em contato com a Malha Fina e adquira seu exemplar!

 

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