Malha Fina Cartonera: Cenas de uma decolagem editorial

por: Larissa Pavoni Rodrigues

Na última sexta-feira, 15 de abril, a Malha Fina Cartonera lançou seus 4 primeiros títulos do selo editorial, apresentados numa mesa-redonda com os autores, com a mediação de Tatiana Lima Faria, coordenadora do projeto. Julián Fuks (Os olhos dos pobres), Juliano Garcia Pessanha (Diálogos e Incorporações), Heitor Ferraz Mello (O Pretexto para todos os meus vícios) e Fabiano Calixto (22 Poemas), este último ausente,  falaram sobre o engajamento político da literatura na atual contingência histórica brasileira e comentaram o lugar que ocupam os textos publicados nas suas respectivas trajetórias literárias. Nada mais justo publicar atuais escritores-pesquisadores de nossa Faculdade em um lugar tão simbólico como o Maria Antônia, antiga Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e palco de inúmeras movimentações políticas estudantis.

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Julián Fuks, Heitor Ferraz Mello e Juliano Garcia Pessanha. Foto por: Julia Izumino.

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Julián Fuks, Heitor Ferraz Mello, Juliano Garcia Pessanha e Tatiana Lima Faria. Foto por: Julia Izumino.

Na ocasião, foi divulgado o resultado dos dois ganhadores da Primeira Convocatória de Narrativa e Poesia Malha Fina Cartonera, lançada em setembro de 2015. Os estudantes de graduação Mauro Augusto de Sousa (Filosofia) e Elvio Fernandes Gonçalves Junior (Letras/Linguística), autores dos dois originais de poesia selecionados, estiveram presentes para receberem os aplausos merecidos. Dos sete jurados que integraram o Comitê de Seleção, três estiveram presentes: os escritores Bernardo Carvalho e Dirceu Villa, e o editor da Iluminuras, Samuel León. Eles mostraram-se muito satisfeitos com o resultado e (re)conhecimento dos dois poetas inéditos, que agora serão publicados e divulgados pela primeira vez pelo selo editorial Malha Fina Cartonera. A professora Idalia Morejón Arnaiz, diretora do projeto, anunciou o nome dos selecionados e falou sobre a idoneidade do processo seletivo, ao convidar figuras de reconhecida trajetória no âmbito literário, sem vínculos diretos com a USP.

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Dirceu Villa e Samuel León. Foto por: Julia Izumino.

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Idalia Morejón Arnaiz e Bernando Carvalho. Foto por: Julia Izumino.

Por último, Mauro Augusto de Sousa e Elvio Fernandes Gonçalves Junior leram alguns de seus poemas.

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Elvio Fernandes Gonçalves Junior e Mauro Augusto de Souza. Foto por:  Julia Izumino.

Em um ambiente descontraído entre vinhos, cervejas e rodas de conversa no terraço aberto ao frescor noturno, conversamos com os três autores presentes sobre suas impressões de se publicar em uma editora cartonera, como foi o processo de escolha de textos para publicação da Malha Fina e suas concepções do fazer-literário e lugar do poeta. Julián Fuks assinalou que no evento de lançamento da Malha Fina “surgiram boas razões para a necessidade da existência de uma cartonera na USP. A primeira delas é a questão da cartonera devolver uma certa essência da literatura, remeter ao que a literatura precisa de mais básico para existir. O bonito no projeto cartonero é que esse mínimo necessário se revela com muita contundência”.

Além disso, Julián Fuks falou sobre o fato dos projetos cartoneros não se submeterem a normas rígidas, restritas, e empobrecedoras do mercado e justamente conseguirem romper com isso. Ele e Heitor Ferraz Mello afirmaram que as cartoneras furam o bloqueio do legível, do fácil, do atraente para o grande público, e destacaram a importância da cartonera em si para a FFLCH, em especial a carreira de Letras, ao conseguir abarcar o campo da criação literária, caminhando junto com a crítica e historiografia literária. Ou seja, essa proximidade que a Malha Fina permite entre os autores contemporâneos e os estudantes de Letras, em conjunção com a publicação dos novos e estreantes escritores da Faculdade. Heitor Ferraz Mello assinalou sua escolha na reunião de poemas de vários livros diferentes, os quais tentam “mapear o olhar pra rua meio deslumbrado pra alguma cena bonita, que se transforma aos poucos no recolhimento, e depois em uma saída com outra cabeça em outro momento, permitindo, assim, outros momentos de uma trajetória dentro da poesia.” Juliano Pessanha agradeceu a oportunidade em publicar na Malha Fina Cartonera seus escritos guardados de gaveta, certos textos que não se sentia muito seguro em mostrar, como disse.

Depois de toda a rica troca de experiências, gostaríamos de agradecer a todos que compareceram ao nosso primeiro lançamento, no qual as horas compartilhadas com os presentes foram adoráveis, além de claro, termos vendido nossos livros. Esperamos todos vocês no nosso próximo lançamento: a Malha Fina não para!

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4 comentários

  1. José Vitor Ferreira · abril 20, 2016

    Grande evento! Ótimo debate e grandes vencedores. Os livros confeccionados pela editora estão belíssimos! Precisamos certamente de mais noites como esta, em que ainda é possível, com a atual situação de nosso país, nos reunirmos para saudar a poesia.

    Um grande abraço!

    (Somente um pequeno detalhe: o Elvio é que é da Letras (Português/Linguística) e o Mauro da Filosofia!)

    Curtido por 1 pessoa

  2. Rafael · abril 20, 2016

    gostaria de saber onde posso adquirir um exemplar do livro do Juliano, diálogos. não moro em sp.

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